Là estava eu, numa festa na casa de um amigo. A cerveja rolando solta. Daí ele aparece com uma bebida lá que mais parecia um álcool absoluto com sabor de anís. beberiquei um pouco mas achei meio ruim.
No meio da festa, liga alguém pra lá. Este alguém que eu nunca saberei quem é, estava ligando de uma outra festa, e convida a festa que eu estava para se mudar para a tal festa deles.
Sim, convida uma festa inteira para atravessar a cidade e chegar numa outra festa. ( depois descobri que a pessoa que convidou não era a dona da tal festa. fato que por si só já nos garante o amplo direito de beber pra esquecer a vergonha.)Como na tal festa que eu estava eu não conhecia praticamente ninguém além da minha mulher, que também conhecia uns três ou quatro, fomos. Eu de penetra do penetra. Penetra ao quadrado. Receita para dar show.
Lembro que eu fui no carro cheio de gente. O carro lotado e eu contando piada.
Sei que no meio do caminho, um dos carros da caravana se perdeu. Pára a caravana, desce todo mundo. Cadê o fulano. Cadê ciclano. Beltrano tava no carro de herculano, liga do celular par eles… Essas coisas. Eu já meio chapado de quatro latinhas de cerveja.
Parei de beber quase totalmente depois que casei e agora sou um fraco. Duas latinhas me nocauteiam.
Mas seguindo a aventura, lá pelas tantas, aparece o carro com as figuras e a caravana segue o caminho por ruas que nunca vi na minha vida em busca do tal condomínio de luxo, onde a festa principal estava rolando.
Aí um dos carros quebra. Por sorte quebrou perto do lugar onde a festa ia rolar e deu pra fazer baldeação em duas viagens no carro que nós estávamos. ( eu não tinha carro na época. Eu era “a pé”, “viação canela” e outros adjetivos fofinhos).
Chegamos na festa e pra minha supresa, a festa que eu estava antes tava beeem mais animada do que a tal da principal. A festa principal era muito chique, muito requintada. Era festa de professor titular da UFF. Sabe como? Pessoas nojentas metidas e pedantes debatendo a linha epistemológica do impacto da obra Kantiana no conceito objetvo das sociedades pós modernas numa ótica neo-liberal paradigmática.
Eu assumo que cheguei lá e me senti um merda. Um merda não. Um merda-oficial da copa do mundo, com estrelinha no peito de mistar merda e pós graduado na ignorância. Só tinha doutorando, mestrando e muitos PHdeuses.
De graduado só eu e o bom e velho (e também caro) vinho chileno ali na minha frente.
Sentei sozinho num canto meio que tentando achar um vácuo para entrar no assunto de alguma patotinha. Mas nada. Eu era avulso. Eu era marido da reles mestranda – que era penetra. Porra, pior que ser o penetra é ser o anexo-sofrível da penetra.
Dei uma boa olhada na casa. Muito bonita chique e bem decorada. A mesa, uma mesona enorme de vidro, com vááááárias garrafonas de vinho de todos os países. (e eu querendo tomar uma cervejinha) Olhei em volta. Patês, queijos, saladas, molhinhos de todas as procedências, salgadinhos mil. E TOME VINHO!
Lembro que quando eu tava no meu décimo segundo copo de vinho, consegui conversar com alguém. O papo não avançou muito porque rapidamente apareceu alguma figurona que possivelmente era a dona da casa e agarrou meu interlocutor pelo braço pra apresentar ao doutor beltrano.
Merda. Lá estava eu, com o copo de vinho na mão. Só me restando beber para não mimetizar totalmente com o abajour.
OLhei na minha frente e vi um enorme queijo muito bonito numa tábua de madeira decorada. O queijo tinha uma cobertura em cima que parecia ser um creme. Parti um pedacinho pra ver qual era.
ERA MARAVILHOSO! Eu senti a mesma coisa que meu cachorro sentiu quando comeu carne pela primeira vez na vida dele. Tudo fazia sentido. A festa chata, as pessoas esquisitas, o carro que sumiu e o que quebrou. Tudo no mundo estava me levando para aquele sublime momento em que o queijo deitou-se sobre minha língua e fomos felizes juntos nuum universo cor de rosa que girou a minha volta. Uma musiquinha tocou. Era um orgasmo alimentar. O queijo era sensacional.
Não pude evitar partir mais um pedacinho e aproveitar e encher mais meu copinho.
Leia o parágrafo aí de cima mais sete vezes.
Pronto, agora é isso que acontece a seguir:
A dona da casa aparece e vendo que eu – o BÊBADO – estava acabando com o queijo caro pra dedéu dela, pega ACINTOSAMENTE o queijo da minha frente e coloca lá no final da mesa. Eu fico ali só olhando na direção dela. (porque nessa altura já não fazia diferença mais olhar de óculos ou sem) Pra falar a verdade, eu já enxergava meio como o morcego, meio pelo som e também pelo cheiro.
Ela saiu e eu levantei tão acintosamente quanto ela tirou o queijo da minha frente ( putamerda, que vergonha contar isso) e sentei novamente, na frente do queijo e COMI TUDO. O queijo INTEIRO. SOZINHO, mané!
O tempo dá um gap. Não sei o que se passou nesse tempo que deve ter levado por aí uma meia hora, 45 min. O que me lembro meio vagamente depois do episódio do queijo foi que eu comi um ovo de codorna que tava azedo. Acho que era picles. E se me lembro bem, cuspi num vaso de planta que tinha na sala. Deve estar lá até hoje.
A dona da casa subiu com o marido, abandonando a festa à sua própria sorte.
Em seguida eu lembro que a música ficou animada. Os bêbados da primeira festa se animaram mais ainda e sofri quando alguém gritou: ACABOU O VINHO!
Mas nessa altura do campeonato, eu já tinha bebido vodka, cerveja na primeira festa mais aquele treco que era igual metanol com sabor anis, vinho tinto, suave, branco, rosé, coca-cola e comido um queijo inteiro e mais uma metade de um ovo de codorna azedo, além de uns salgadinhos que não sei o que era,. Mas naquele estado, mesmo se fosse sabor barata seria bom.
Saí com uma amiga também absolutamente chapada procurando na cozinha da dona da casa por alguma bebidinha malocada. Um uísque, uma vodka, um detefon. Qualquer merda alcóolico serviria. Não achamos e resolvemos “fazer uma pista de dança” TIramos alguns móveis da sala… E virei o TONI MANERO!
Você deve estar se perguntando onde diabos a mulher do –PUDIM DE PINGA AVULSO – estava, né?
Bem, ela estava na varanda, debatendo com uma outra professora a experiência do sistema de ciclos na rede municipal de Niterói, sob a ótica da proposta oficial até às práticas concretas.
Tá vendo porque eu bebo?
Continuando a aventura etílica:
Alguém apagou a luz na cozinha e o que me lembro em seguida, é de estar amarradão dançando salsa com uma amiga da Nivea do mestrado. e mais um monte de bêbados que na minha memória são aqueles dançarinos zumbis do clipe do Michael Jackson.
A Nivea conta que nesse momento alguém chegou na varanda e comentou: Tem um cara bêbado dançando salsa lá na cozinha. È o seu marido?
Quando a Nivea chegou lá, a gente tava dançando lambada ou era forró. Se bem que tanto fazia. Não sei dançar nenhum dos dois mesmo, eu tava ali igual a uma minhoca, igual ao Mick Jagger.
Foi dando a hora de ir embora. A Nivea não sei se por medo ou vergonha me agarrou pelo braço e chamou pra ir embora. Quem sou eu pra resistir a uma apelo daqueles? Fomos embora. Eu pedi carona pra uma ex-professora minha do segundo grau e ela meio relutante ( meio é favor. RELUTANTE PRA CARALHO) aceitou. Não lembro de mais nada mas a Nivea contou que eu só falei merda. (grande vantagem. Eu normal só falo merda mesmo!) no carro.
No meio do caminho, a mulher resolveu achar que eu ia chamar o raul. Parou o carro e me botou pra fora. Eu e a Nivea. Mó sacanagem. Tres e porrada da madrugada. Longe pra caramba lá de casa. Fomos andando. Andamos, andamos, andamos no meio da madruga. Bem, eu cambaleando e ela andando e tentando me ajudar a andar num zig-zag mais coordenado.
Chegamos em casa, eu rindo alto.
Lembro que deitei na cama. Tudo rodou.
Primeiro rodou pra esquerda. Rodou e foi acelerando. Aí começou a desacelerar.
Depois rodou pro outro lado… Acelerou e em seguida rodou – no eixo Z.
Aí eu vi que ia vomitar. Corro pro banheiro pra chamar o raul. Acendo a luz e o vaso tava tampado. Porra, que mulher mané! Sabe que o marido tá chapado e tampa o vaso.
A boca cheia de vômito e por uma fração de segundo pareci um KIKO (do Chaves) possuído pelo capeta. Sobretudo quando o jato verde com pedaços ao molho voou. Então tentei me virar pra deixar o sopão na pia, mas só lembro de ter vomitado para o alto.
Eu vomitei pelo nariz também.
Maldito queijo. Pra quê ser tão gostoso? Se bem que se você vai vomitar, pelo menos é bom que seja algo gostoso, né? Afinal, você sente o gostinho duas vezes.
Voltei pra cama e ainda vomitei lá na cama duas vezes mais. (dormindo, graças a Deus!) Na manhã seguinte eu era um farrapo humano. A Nivea conta que eu devo ter vomitado rodando pra conseguir vomitar até no lustre. Ela queria me meter o esporro, mas até ficou com pena tamanho estado de putrefação em que eu me encontrava. Eu era um nada. Desci ao décimo quarto inferno naquele dia. Nada que eu comia ficava no estômago.
Tive que tomar varios remédios. Nivea ligou para o médico e tudo mais.
Tudo eu vomitava. Dizem que o porre de vinho é dos piores. Maluco, “dos piores”? Aquilo é o PIOR porre que um ser humano é capaz de suportar em vida. Só consegui comer alguma coisa (uma maçã) no dia seguinte.
Passei dois anos sem botar uma gota sequer de vinho na boca. Nunca mais comi o queijinho do creminho. Hoje só lembro dos pedacinhos de creme nas minhas narinas. Que nojo. Mas eu sei de quem é a culpa.
A culpa é da metade daquele maldito ovo de codorna. Eu devia ter previsto que um ovo de codorna marrom não podia ser saudável.

80 Comentários
Forrest Phillipe!!
Este mês tenho lido suas histórias em doses homeopáticas, afinal, tal como alguns leitores, ambiente de trabalho não é para ler blogs e dar gargalhadas!
Os “causos” reais são fabulosos, aqui na minha família temos vários, mas essa sua verve de contador de histórias com certeza ilustra bem demais!!! :*(
Fico feliz que goste, Gabriela.
Eu neein fko com porre de vinho! \o/ sortudo fio da p*** kk
Amo vinho!
SHUAHSUAHUSHAS
Encontreei seu blog por acaso aqi nu serviço e amei, o problema é qi naum dá pra riir direito. rsrs
Meus Parabéns, vc escreve mt beem…
Brigadão, Sabrina. Fico feliz que goste.
De vinho não é o pior, se tivesse sido catuaba garanto que você teria morrido!! Ainda mais se for de “catuabinha” uma garrafinha gorda de uns 500ml mas que pelo formato voce pensa ter a quantidade de uma pitchula, porra…tomei um porre dessas que chegou num ponto que eu vomitava ar, dava vontade de comer alguma coisa só pra ver se saia algo sólido , pra dar uma sensação de que tá “melhorando”, que a coisa ruim tá saindo…
Eu sei exatamente do que vc tá falando, Flavio. Isso é uma meeeerda. Chama-se vomitar em seco. Acontece isso comigo na crise de cálculo renal, cara.
:argh: Nooooossa,vou te falar uma coisa nao paro de rir dos seus posts vlh,to maluquinha pra comprar seu livor ._.
Entra lá no site do livro, Ana. Dá pra comprar com qualquer cartão, e até boleto. Eu acho que você vai curtir o livro. Abração e muito obrigado mesmo por sua visita.
Hahaha. Fico feliz que esteja curtindo.
cara,demais as suas historias,se eu puder,com certeza vou comprar o livro.
Não sei dançar nenhum dos dois mesmo, eu tava ali igual a uma minhoca, igual ao Mick Jagger
Ri Demais nessa parte.
Muito bom!
Hahahahaha Valeu mesmo.
cara. ameei essa historia, eu aqui no trampo, sem nada pra fazer. to rindo que nem uma doida aqui D:
enfim, eu leio todos os seus posts. sao demais !
Fico feliz que goste, Marcia. Este e outros casos doidos (ineditos) estão no meu livro: http://www.livro.gumpworld.com
é por isso que nao bebo, zueira, na verdade nao bebo por que ja provei um monte de coisa, e nunca gostei do sabor.. por isso que nao bebo.
ps.: heim cara.. pergunta da sua mulher se ela nao esta afim de me vender a escritura do sol XD~ voce ja conseguiu casar com a sua, deixa eu ver se consigo casar com a minha agora.
kkkkkkkk….
isso foi muito loko….
eu morro de rir lendo todos estes posts
nossa ._.
vomitar até no teto é tenso
To aki chorando de rir….
Muito divertida essa estoria.
ASHUASHUAHAHSAHSU muito bom,ri pra caralho kkkkkk
Menino, apesar de tudo você ainda teve sorte. Pior foi comigo, pois aconteceu DENTRO DO TÁXI!!
P.S.: também foi por causa de vinho.
Imagino o ódio do motorista.
Põe ódio nisso! O homem ficou numa revolta tão grande que eu e minha irmã (sim, ela estava comigo…) praticamente dobramos o valor da tarifa por causa do estrago! Estou convencida que depois ele foi diretinho para o lava-jato…
Vc é o cara, seu blog é mto bom, parabéns !
Valeu Isabella!
kkkkk
Muito bom seu blog, e tu escreve muito.
ri muito, maldito ovo de codorna marrom
Valeu mesmo.
“a experiência do sistema de ciclos na rede municipal de Niterói, sob a ótica da proposta oficial até às práticas concretas.”
Cara, parece mais conversa regada a cocaína do que a álcool, hahaha!
Eu entendo também, faz anos que fico na cerveja e na vodka, depois de tanta cantina da serra, vinho não entra mais. E acontece de não conseguir segurar nem água no estômago no dia seguinte, nunca aconteceu comigo mas já vi várias pessoas indo pro soro nessa brincadeira! Mesmo assim, não deixa de ser divertido.
Vez ou outra volto pra ler esse texto, e isso já faz uns 10 anos hahaha