Quando minha casa ficou mal assombrada

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de onde vem seu medo 6 401 | Aventuras | Aventuras

Estranho, tenha a sensação de que já escrevi este post, mas procurei para indicar a um leitor e não achei. Pode ser que ele tenha ido para o saco numa das inúmeras migrações desse blog ao longo dos nove anos dele. Dessa forma, não me custa reescrever o perrengue que passei no meu SEGUNDO apartamento mal assombrado. O primeiro apartamento mal assombrado esta neste post aqui.
Se você já leu isso, peço desculpas, vou ser chato e contar novamente. Não é uma história muito grande, porque ela foi real e sendo real ela é menos espetacular do que seria um conto. Em compensação, o cagaço que ela me deu…

Foi o primeiro lugar que eu morei quando casei. A gente quando casa não costuma ter muita grana, e no meu caso era uma pobreza enorme. Eu terminando a Faculdade e a Nivea trabalhando como professora. Juntamos a grana e só conseguimos (com sorte) um apartamento pequeno, que originalmente era de zelador, num predinho antigo em Icaraí, cuja única vantagem era ser perto da praia.
O apartamento era de uma velhinha viúva, que nem sequer contrato tinha. O cara da Imobiliária disse que valia à pena, porque ela só precisava daquele dinheiro para comprar remédios, pois ela tinha uns 90 anos e enchia o saco dele, indo lá toda semana para saber se ele tinha conseguido alugar o apê dela.

“Então era a junção da fome como a vontade de comer”, como se diz na minha terra. A velha querendo desencalhar o apartamento de 2 quartos (que era uma bosta e ninguém queria) e a gente prestes a virar recém casados precisando de um cafofo “pra ontem”. Fechamos o aluguel e acredite se puder, fizemos a mudança NO DIA DO NOSSO CASAMENTO!

Saí da festa e ao contrario de todo mundo, que vai pra lua de mel, pro “rala e rola”, eu fui pro rala mas não teve o rola. Coisas de um sujeito Gump. Só fui ara a lua de mel (de carona) dias depois, quando acabei ficando preso numa ilha deserta e achei que ia morrer… hahaha porra, vendo assim eu realmente me meto em muita roubada.

Bom, voltando ao apartamento da velha, nos mudamos pra lá, o tempo passou e tava tudo beleza. Tirando uns estalos horrendos da maquina do elevador do prédio que era no mesmo andar da nossa “cobertura” com vista para o cano do telhado, não era ruim de morar lá não.

Passou o primeiro ano, o segundo… A gente ja tinha comprado móveis, estávamos arrumando melhor o cafofo e tal. Um dia, a dona do apartamento surgiu na porta. Era a velha de 90 anos, manca, meio corcunda, que usava bengala e que não falava praticamente NADA só em português, misturava tudo com italiano. Ela era IGUAL a velha da praça é nossa, mermão. Igual. E inclusive a roupa, com um saião preto e um xale, num calor de 40 graus… Uma figura.

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Eu custei a entender o que ela queria, porque ela falava um italiano misturado com português que era incompreensível.
Ela disse que estava lá porque estava com saudades da casa. Pediu para entrar, mas pediu com um autoritarismo, que sabendo das histórias dela (ela chegou a quebrar a bengala dando porrada num dos porteiros, que também era velho e maluco) ficamos com pena e eu deixei ela entrar.

E ela foi entrando e olhando… Primeiro em silêncio, depois começou a ir em CADA cômodo e beijou as paredes, chorou muito no meu quarto, lembrando do marido.

-Tem muito tempo que ele morreu? – Perguntei tentando ser simpático.
-Tem… Ele morreu aqui. Bem onde é sua cama. – Ela disse, apontando com a bengala. Imediatamente me arrependi de ter perguntado aquela merda.

ELa ficou mais ou menos uma hora lá em casa, tomou café, foi no banheiro, beijou até o azulejo, mermão! Ficou chamando o velho pela casa, perguntando “porque ele foi” sem ela… Meu, a maior cena. Eu e Nivea sem sabermos o que fazer. Depois de um tempo, a velha se recompôs e foi embora.

E foi assim que logo que ela foi embora, naquela semana mesmo, minha casa focou mal assombrada pra caralho.

Ela foi, mas a “entidade” parece que ficou e daquele dia em diante, começaram as mais bizarras manifestações na nossa casa.
A sensação que eu já não tinha fazia tempo, de uma presença me olhando voltou com força total. Eu sentia a coisa me olhando no escritório. Vultos da visão periférica começaram a ficar mais e mais comuns. Eu até já estava me acostumando, mas a coisa foi num crescendo.
As portas batiam sem vento, livros caíam da estante do nada, coisas trocavam de lugar. A noite eu ouvia copos se arrastando pela pia. Um dia, um copo explodiu sem razão.

Luzes passaram a acender ou apagar sozinhas, eram coisas que se quebravam e apareciam quebradas misteriosamente.
Parece até zoação, mas até meu computador começou a agir estranho daquele dia em diante. E o telefone tocava mas não era ninguém. Começou logo depois que ela foi la em casa e ficou chamando o velho. O telefone tocava, eu atendia e nada… Só um ruído estranho de fundo. No inicio achei que era trote, mas depois comecei a desconfiar que aquela porra tinha relação. às vezes tocava, eu ia atender e parava.

Foi quando começaram os vultos mais densos. Primeiro no corredor, onde ela beijou as paredes, e depois no banheiro, no quarto e na área de serviço. Era vulto toda hora. Eu comecei a ficar com cagaço de ficar sozinho naquele apartamento. E o pior é que eu ficava porque a Nivea começou a dar aulas na pós graduação e viajava nos finais de semana. Eu ficava muito tempo sozinho em casa e aí o fantasma fazia a festa. Havia um lugar atrás da parede da cozinha, que era tipo um porão. Uma portinha pequena, de um metro, onde ficava o botijão de gás. Era um espaço pequeno, apertado, comprido. E lá no fundo tinham umas caixas, com coisas do velho (umas revistas, umas caixas, ferramentas). Eu mudei às pressas e nunca tinha jogado nada daquilo fora, porque eu não curtia entrar naquela porra lá, talvez porque mais parecia um túmulo.
E inúmeras vezes ouvi barulhos vindo de lá, como se alguém estivesse ali dentro cochichando. Volta e meia aquela portinha dava uma sonora porrada. O espaço era fechado, sem janelas, não tinha como aquela porta bater, até porque ela era meio emperrada, porque a madeira estufou com as lavagens da cozinha. Aquilo era algo que me dava um medo da porra, porque eu sabia que não era natural.

Aí a casa começou a dar umas coisas estranhas, tipo ela esquentava, esfriava… Eu buscava justificar isso com o fato de que era o último apartamento do prédio e pegava sol na lage. Gradualmente começou a dar umas machas estranhas nas paredes que a velha beijou.

Pra piorar ainda tinha o barulho do motor do elevador. Imagina só você deitado na cama, de olho arregalado vendo vultos passando no corredor e do nada: TRAAAC! O barulhão.
É foda, meu!

Inúmeras vezes eu ouvi coisas pesadas sendo arrastadas no teto. Só que o apartamento já era o último do prédio (tipo uma cobertura) e eu sabia que não tinha nada em cima além de uma caixa dágua. Mas mesmo assim, em duas vezes o barulho foi tão real que eu fui lá fora para olhar. E não vi nada além de canos e telhas brasilit.

A coisa chegou num ponto sem volta no dia em que eu estava trabalhando no computador e a Nivea deu um grito horrível. Eu saí correndo, achando que ela tinha visto um rato ou coisa assim e a Nivea tava com o olho arregalado, pálida. Ela disse que viu um homem parado na nossa sala, de chapéu. Era todo preto e não dava para ver direito, mas parecia uma pessoa de chapéu, parada, e que sumiu quando ela gritou.

Dava pra sentir que a casa estava “carregada”, como se fosse uma grande “pilha”. Então chamamos uma amiga nossa que era muito religiosa e ela ao ouvir que a Nivea viu o homem de chapéu no corredor, correu e convocou um padre amigo dela, que era padre exorcista. Nós fizemos uma cerimônia de exorcismo da casa e o padre jogou água benta e cada lugar que a velha beijou. Naquele dia mesmo o troço parou.

Tratamos de mudar dali assim que a grana deu.