Quando eu trabalhava na Ignis, eu recebi um convite para ir a Manaus com tudo pago participar de um evento universitário e dar uma palestra sobre o meu processo de trabalho como diretor de arte do jogo Erinia, o primeiro Massive multiplayer RPG 100% nacional.
Eu fiquei todo satisfeito de por ir pela primeira vez na vida para algum lugar com “tudo pago”. Sempre tive uma ambição secreta por coisas que fossem “tudo pago” como acontecia volta e meia em comerciais de Tv e promoções onde a gente não tem a mínima chance de vencer.
O voo seria pela TAM. Eu deveria ir pra Manaus numa sexta-feira, passar uma noite lá num hotel e voltar no dia seguinte.
E lá fui eu. Arrumei a mala, despedi da primeira dama e mandei ver na direção do aeroporto internacional.
O voo transcorreu perfeitamente. Cheguei em Manaus às duas da tarde e fui recebido com plaquinha no aeroporto e carro com motorista.
Dali a moça da universidade que tava bancando tudo me levou para conhecer o campus e o local da palestra. Ambos muito bonitos. Mas surpresa mesmo aconteceu no hotel. Eu cheguei lá e logo de cara o gerente veio falar comigo. Ele tinha más notícias. Estava havendo um evento político e um festival de cinema na cidade, o que fez com que alguém importante ocupasse o meu quarto. Eu levei um susto, afinal, era “tudo pago”, como eu iria fazer?
Mas o gerente, super solícito falou que não era pra eu me preocupar, que eles me “realocariam” sem nenhum custo e pediu desculpas pelo transtorno. Sempre que alguém vai te realocar, e que ainda pede desculpas antecipadamente, pode crer que você vai se foder. Isso era um fato inexorável para mim até aquele dia.
Fiz uma cara de bunda, mas sem outra opção, aceitei e segui o rapaz até o outro quarto.
Eu estava esperando um hotel mediano, talvez até ruim, mas quando dei de cara com o palácio nababesco que era o quarto quase tive uma síncope. Na falta de uma suíte tradicional, eles me colocaram no único quarto não ocupado do hotel, que (por motivos óbvios) deveria ser absurdamente caro.
Era um quarto presidencial do tamanho do meu apartamento. Uma Tv de plasma que era a maior que eu vi na minha vida na parede da sala de estar e outra igualzinha no quarto.
Uma banheira com hidromassagem gigante. Ê vidão!
Passei a tarde na banheira, a la Vinícus de Moraes, tomando uma coca-cola e vendo a Tv da sala, que erra tão grande que eu via perfeitamente de dentro da banheira.
Quando chegou a noite, a moça da universidade ligou pro quarto e falou que o motorista ia passar pra me levar pro evento em duas horas. Me arrumei e fui. O evento transcorreu sem problemas. Foi muito engraçado, com varias histórias doidas na palestra. O pessoal riu bastante e depois voltei para o hotel.
O pessoal do evento combinou comigo que eu seria levado para um passeio, onde veria o encontro das águas no dia seguinte. No dia seguinte, meu último dia em Manaus, acordei cedo e tomei aquele sensacional café da manhã de hotel 5 estrelas.
Depois fiquei esperando o pessoal que ia me levar para ver o tal encontro das águas.
Você foi?
Nem eles. Eu tomei um chá de cadeira das oito às onze, quando finalmente consegui telefonar para o pessoal do evento que disseram ter esquecido do passeio. Aí já era tarde. Eu tinha que fazer o check out no hotel e pegar um taxi usando um vaucher que eles me deram para o aeroporto. Meu vôo era 13:00.
Então eu olhei no relógio e vi que ainda estava muito cedo. Coloquei a televisão gigante no Discovery e comecei a ver Mith Busters. Mas como o sofá do hotel era absurdamente confortável, cochilei.
Quando eu acordei assutado, olhei a hora e era vinte pra meio dia. Saí igual doido. Peguei a mala e fiz check out.
-Tudo pago, senhor. Obrigado. – Ah, como é bom ouvir esta frase!
Chamei o taxi e tampamos em direção ao aeroporto. O problema é que o aeroporto de Manaus era tão longe do hotel que eu estava que parecia até que eu ia voltar pra Niterói de táxi. Pro cara correr eu falei pra ele que meu vôo era 12:00. Rapaz, nunca vi um taxista fazer tanta maluquice e dirigir tão rápido. Ele parecia o cara daquele filme “O entregador”.
Cheguei no aeroporto. Eram 12:20. O aeroporto estava uma zona do caramba. Lotado. Pessoas gritando nos guichês. A Vasp havia parado de voar e largou na mão centenas de passageiros ilhados em Manaus.
Aí me toquei que ainda tinha que comprar um presente para a primeira dama. Entrei numa daquelas milhares de lojas que vendem tudo do boi bumbá e arcos e chocalhos indígenas.
Fiquei um tempão até achar uma camiseta legal. Olhei a hora. Era 12:30.
Eu tinha que fazer o check in até 12:35.
Paguei a camisa e corri pro guichê. A moça do guichê falou que o check in não era no balcão mas sim no interior da sala de embarque, coisa que eu nunca vi na vida.
Corri para sala de embarque e quando eu estava quase chegando nela, um sujeito de bigodinho que parecia mais o Mazzaropi fechou a porta de vidro na minha cara.
Eu olhei pra ele e achei que era algum tipo de piada. Ele ficou me olhando com um sorrisinho filho da puta atrás daquele vidro. Eu comecei a argumentar do outro lado do vidro.
– Ei, deixa eu entrar!
– Já encerrou.
– Hã?
– Encerrou, senhor.
– Encerrou o quê?
– O período para o check in. – Disse ele me mostrando um relógio barato de camelô estilo G-Shock dos anos 80.
– Mas olha aqui. São 12:30! O Check In está escrito aqui, ó! É até 12:30.
– Então, senhor. ATÉ 12:30. São 12:30, olha só. – Novamente com o sorriso cretino me mostrando o relógio. Atrás dele, eu vejo a fila enorme de pessoas do meu vôo.
– Moço. Por favor, olha aqui a passagem. Que que te custa abrir esta merda dessa porta de vidro. A um metro atrás do senhor está uma fila enorme de pessoas do meu vôo.
– Lamento senhor. Não posso fazer isso. Vá até o guichê e peça uma autorização por escrito da coordenadora da Infraero que eu abro.
Eu xinguei todos os palavrões possíveis e imagináveis.
Corri no balcão. Ali estava uma mocinha daquelas mal comidas,. que trabalham num ritmo que parecem ser sonâmbulas dormindo. Eu quis pedir logo pra ela resolver meu problema, mas ela nem me deu ouvidos. Estava resolvendo o problema de troca de passagem de um casal que viajaria dali a quinze dias em lua de mel. Eu tentei argumentar que pro meu caso, cada segundo contava, mas ela se limitou a dizer:
– O sistema é de fila única, senhor.
Quando finalmente chegou a minha vez, eu estava grudado no relógio. A cada segundo, minha chance de voltar para casa se esvaía.
A moça ligou para o dept. responsável, mas primeiro a ligação não atendia.
Eu olhei no relógio. Faltavam agora dois minutos.
Quando o telefone finalmente atendeu, eu contei minha história para a moça do outro lado. Devia ser uma matrona gorda, tipo governanta suíça, que simplesmente falou pra mim com a educação mais perfeita que eu já vi:
-Problema seu. Chegasse antes. – E bateu o telefone na minha cara.
Eu estava owned. Mais uma porra de ownada na minha vida.
Corri para a porta de blindex que me separava do meu vôo. Através dela, atrás do filho da puta de bigodinho e sorriso cretino, eu vi as últimas pessoas embarcando. Dali a um tempo vi o avião decolar.
Eu estava sozinho, com medo e com frio em Manaus. E o que é pior, sem UM PUTO. Afinal era “tudo pago”.
Arrastei minha carcaça de looser até o guichê e perguntei quando sairia o próximo vôo.
para meu absoluto desespero, estavam todos os vôos lotados e o único vôo que tinha lugar seria numa quarta-feira. ( detalhe: era sábado ainda)
Eu tinha uma remota chance de alguém não ir ou chegar a tempo ao próximo vôo, que seria as três da tarde.
Liguei pra primeira dama para dar as más notícias. Ela se desesperou.
Eu resolvi ficar esperando o próximo vôo da TAM.
Nesse interim, corri até os outros guichês e constatei que devido ao crash financeiro da Vasp, todos os vôos das demais companhias lotaram. Uma vez que de Manaus pro sul não tem muito jeito (estrada é loucura, barco também) o aeroporto era o único meio viável de transporte. E com vários eventos na cidade, como o de cinema, o político e os universitários, não tinha lugar mesmo. E graças a incompetência das companhias, não havia absolutamente nenhum vôo extra.
Quando deu três horas eu fiquei apreensivo. As pessoas começaram a entrar no vôo. Um a um foram entrando. E fechou. O rapaz do guichê falou que o vôo lotou. O próximo seria as dez da noite.
Eu olhei para os lados. O aeroporto, minhas malas e nada mais. Me senti o Tom Hanks em “O Terminal”.
Comecei a passear pelo aeroporto. Quando passou umas duas horas de espera ali, eu já conhecia tudo. Já havia visto tudo das lojas e havia folheado tantas revistas na banca de jornal que o velhinho tava querendo me dar uma porrada.
Eu dei uma olhada em quanto eu tinha no sacrossanto compartimento da carteira onde fica o dindim para emergência. Dez reais.
Com dez reais o taxi não sairia nem pelo portão do aeroporto. Quanto mais viajar até o centro.
Liguei pra Nivea, a primeira dama.
Ela estava falando com a minha comadre, a Elaine. E o marido dela, o meu compadre Americo foi muito solícito em tentar me tirar daquela roubada. Ele tem amigos na polícia em todos os estados e conseguiu contactar uma pessoa em Manaus que mandou a filha e esposa dele irem de carro me buscar.
Elas chegaram e foram super legais. Me pegaram lá no aeroporto e me levaram naquele calor de 40 graus para um banco HSBC, onde eu consegui pegar mais um dinheirinho.
Começamos a procurar um hotel que desse pra eu tomar um banho e esperar até de noite. Não havia nada. Todos os hotéis estavam cheios. Até que chegamos em um com decoração bem estranha… Digamos, regional.
O quarto era cem pratas. Despedi-me com tristeza das duas notinhas amarelinhas e combinei com a moça que eu iria sair de noite pra tentar embarcar. Se eu não conseguisse, iria voltar pro hotel ainda naquela diária. A moça topou. Fiquei no quarto do hotelzinho no centro e resolvi dar um passeio. Zanzei pelo centro de Manaus e vi como tem camelô vendendo controle remoto naquele lugar. É o paraíso dos controles remotos.
Passeando, eu constatei uma coisa curiosa lá em Manaus que é o fato de ser uma cidade oito ou oitenta. Ou tem mulher linda, quase modelo, ou “chuta que é macumba”, como explicou mais tarde o motorista do taxi.
Fui até uma pracinha onde comi um podrão. ( cachorro quente com “tudo que você tem direito”)
Era meu jantar.
Este foi um dos piores erros da viagem.
Enquanto eu passeava comecei a sentir uns calafrios. Eu estava suando… Uma certa pressão surgiu em meu abdômen. Corri para o hotel antes de acontecer o pior dentro da minha cueca.
Aquele podrão me deu uma diarréia tão filha da puta que pensei que evacuaria meus próprios intestinos.
O banheirinho do quarto era uma merda minúscula, praticamente em cima da cama, com um vaso sanitário que estava em falso, “balangando” de um lado para o outro. E eu ali, cagando aquela água. Nem uma dose cavalar de purgante faria efeito tão rápido como o “podrão com tudo que tem direito” em Manaus.
Meu cú fazia ânsia de vômito, querendo cagar mais e nem tinha mais nada pra sair. O cheiro nauseabundo invadiu o quarto e por mais descarga que eu dava, ( o reservatório embutido não dava pressão na água suficiente) a merda só rodopiava e não descia.
Eu recomecei a suar frio. Blasfemei contra tudo e contra todos de pagar cem merréis para passar a noite sentado num sanitário desnivelado com assento bege de plástico da marca Tigre.
Quando deu a hora, eu sai e peguei um outro taxi. Tratei a corrida. O cara queria 120 pratas pra me levar no aeroporto. Mas eu negociei pesado com ele e ele acabou se solidarizando quando eu contei minha aventura até ali (omitindo o pequeno detalhe da diarréia) e ele fez a corrida por 70 pratas.
No meio do caminho, veio a gastura e a pressão na barriga. Comecei a suar frio novamente. Pedi ao motorista pra parar num bar. Era um pé sujo de quinta categoria. Mas fui lá, dei uma bela olhada na privada. Era um sanitário sem assento, todo mijado.
Sabe como é. Fechei os olhos, me equilibrei parcialmente como deu em cima do vaso e mandei o jato.
Me limpei com um jornal estratégicamente carregado para estes momentos de sofrimento.
Corri para o taxi. Abri bem os vidros para disfarçar meu “odor peculiar”, afinal, jornal borroca tudo.
Mas acho que o taxista percebeu, porque ele passou a correr muito mais.
Cheguei no aeroporto antes das dez da noite. O vôo saiu lotado novamente.
Eu estava ficando cada vez mais puto. Mas até que o fato do vôo ter lotado me permitiu ir até o banheiro e discretamente, com a ajuda de um copinho plástico roubado da lanchonete, dar uma lavada estratégica nas partes baixas… Troquei de roupa no banheiro e me senti bem melhor limpo.
O próximo vôo seria duas e porrada da madrugada. Resolvi não pagar uma nota pra voltar ao hotelzinho. Não iria valer a pena. Além do que eu percebi que se fizesse pressão psicológica suficiente, eu teria mais chances.
Comprei uma revistinha de palavras cruzadas e esperei. Eu percebi como o tempo tem uma capacidade única de passar mais rápido quando estamos nos divertindo.
E eu não estava, por isso, o tempo se arrastou indefinidamente. O saguão vazio e eu lá, escrevendo palavras cruzadas.
Quando deu a hora do vôo, o movimento recomeçou.
O rapaz da madrugada já estava solidário a mim. Eu contei toda minha aventura pra ele. Ele começou a torcer por mim.
Um a um, os passageiros se apresentaram. E então só havia um lugar vazio. Foi dando a hora, nada…
O passageiro não chegava. Eu comecei a recuperar as esperanças. Fiquei super feliz quando o carinha do guichê falou:
– È meu amigo. Agora você vai! Vou vender.
– Ele pegou o computador e começou a digitar. Aí eu só ouvi alguém gritar:
-Esperaaaaaa. Olhei para trás, o que eu vi aconteceu em câmera lenta. Era um gordão enorme com uma camisa amarela de doer o olho. Walkman no ouvido, mochila minúscula nas costas correndo feito um sapão com o bilhete na mão. Parecia o Hurley.
O cara do guichê olhou pra mim e disse:
-O último passageiro entrou. Sinto muito senhor. O vôo lotou.
Ah, aquilo me deu ódio. Muito ódio. Eu queria matar um filho da puta qualquer.
Voltei para a poltrona. O próximo vôo da TAM (lotado) seria só no domingo.
Eu fiquei parado na poltroninha do saguão pensando com como sair daquela situação escrota. O tempo estava contra mim. O podrão havia me dado uma trégua de algumas horas e até meu organismo produzir mais um quilo de cocô, eu tinha que arrumar um jeito de sair daquele lugar no meio da selva.
Fiquei olhando para o guichê da Gol.
Muitas pessoas se acotovelavam em busca de um lugar no vôo das quatro e paulada da manhã.
Eu comecei a observar atentamente e percebi pela maneira de andar e se mexer, que uma mocinha novinha era funcionária recente na Gol. Meio inexperiente. Toda enrolada pra vender as passagens.
Foi aí que comecei a bolar o plano que me tiraria daquele lugar quente.
Corri no banheiro e joguei uma água no rosto, mas não enxuguei. Era para dar o toque de suor. PAssei o dedo besuntado daquela merda de passar na mão que tem nas pias de aeroporto sob os olhos. Eles ficaram vermelhos no ato. Parecia que eu ia chorar. Saí do banheiro já cambaleando.
Eu troquei de lugar. Peguei uma cadeira bem de frente para o guichê da Gol.
Abri a camisa um pouco, baguncei o cabelo e comecei a fazer a cara de quem vai morrer. Esta cara até que era fácil de fazer, considerando que eu havia passado a tarde inteira evacuando tudo que havia dentro de mim. Eu estava digamos, meio cadavérico mesmo.
Os olhos fundos. A face sem cor.
Vi que a mocinha me olhou por alguns segundos. Comecei a tossir uma tosse tubercoleprosa. Mais uma vez, apelei para minha interpretação cinematográfica de doente.
E lá estava eu, esquecido num aeroporto distante, fingindo de doente para ludibriar uma moça do guichê da Gol. Era literalmente “O terminal”.
Ela começou a me olhar com uma expessão de preocupação. Quando deu um momento mais vazio, percebi que ela estava sozinha no balcão. Então me levantei com a dificuldade da velha da “Praça é nossa” e movimentei minha carcaça na direção dela. Eu fiz aquele andar de zumbi de filme do George Romero misturado com o andar após o coma da moça de Kill Bill.
Cheguei semi-desfalecido no guichê. A mocinha mal podia conter seu receio.
Eu falei pra ela ( o contável a uma moça) o primeiro trecho da minha história.
– Está se sentindo bem, senhor? – Perguntou a coitada, toda preocupada.
– Moça eu sofro de síndrome de wisterchausen. Já ouviu falar?
– Não… É grave?
– Muito. Se eu não tomar 752 Triodoxina nas próximas seis horas, eu posso morrer.
– Meu Deus!
– E o pior é que o medicanento não tem em Manaus. Fui no hospital e eles me mandaram ir pra Brasília. Só lá que tem. Só que os voos estão todos lotados, não estão?
-Estão todos lotados senhor. – Ela confirmou.
– E você não tem jeito de me encaixar?
– Ih, senhor. É que com a falta dos voos da Vasp… – Começou a arrumar desculpa. Aí eu tive que apelar.
– Pois é. Então eu vou morrer. Porque se eu não tomar, essa doença autoimune que eu tenho vai gerar uma crise pós-hiperbólica nos dendritos cerebrais. A pleura parietal vai vazar e eu vou ter uma ataque aqui. Bem na sua frente. Eu posso morrer e vai ser culpa SUA. – Eu falei apontando o dedo na cara dela.
Ela tomou o maior susto, coitada. Ficou desesperada. Eu cheguei a ficar até com pena quando vi o pânico tomar conta da menina. Afinal, uma história com tantos termos médicos e de nome supostamente alemão, só podia ser séria mesmo.
Ela falou:
– Acalme-se senhor. Eu vou tentar ajudar o senhor. Vou trocar a passagem de um passageiro e te encaixo no próximo voo daqui a dez minutos.
– Ah, graças a Deus, moça. Você salvou a minha vida! – Eu falei. Os olhos cinematograficamente revirando para trás. A cabeça pendendo para o lado. Paguei mil e tantos reais de passagem no cartão de crédito.
Ela tirou o boletinho em forma de cupom fiscal de padaria, que é o bilhete de embarque da Gol. Eu olhei para aquilo e pensei: Mil e tanto para uma merda de bilhete desses? Coisas da Gol. Eu corri todo torto, igual ao homem Barata de MIB para o salão de embarque e em pouco tempo depois, eu estava dentro do avião comendo amendoim voltando para Brasília.
Cheguei em Brasília de manhã cedo. Com o meu bilhete Manaus-Brasília-Rio da TAM eu consegui pegar o pedaço Brasília Rio e voltei comendo um sanduíche.
Cheguei no Rio e corri para pegar a primeira van que estava passando no aeroporto. A van estava lotada e só tinha mais um lugar.
Quando eu vou sentar, olho e quem está ali do meu lado?
Meu pai.
Na maior coincidência ele estava na mesma van que eu. Eu abracei meu pai e todo mundo ficou meio bolado achando que eu era doido. Voltamos juntos para casa. Era o final de uma aventura e tanto. Uma aventura com quase tudo pago.
FIM
Calma que ainda não acabou. Eu tentei reaver o meu dinheiro gasto na GOL com a Tam, pegando o valor do trecho Manaus – Brasília de volta em dinheiro. A Tam pegou a grana e despositou na conta.
Na conta da universidade. Nunca mais recuperei aquele dinheiro.
Posteriormente concluí que o cara fechou o portão de embarque na minha cara porque alguém (político ou famoso Global que estava num dos eventos da cidade) deve ter apelado para entrar naquele vôo e eles venderam o meu lugar antes do encerramento do período de check in. Brasil é Brasil.
Esta história também está participando da promoção do blog Goitacá

76 Comentários
Oi, também entrei no site procurando por uma coisa e acabei vendo seu texto, fiquei curiosa pois sou de Manaus, tua estoria é muito legal (desculpa mas é realmente muito engraçado!), mas te convido a vir com tempo e dinheiro para aproveitar e conhecer melhor a cidade e os arredores, infelizmente você foi vitima da “politicagem” no Brasil. Boa sorte na proxima, um abraço.
Com certeza. Estou planejando ir a Manaus em breve, mas num outro esquema para aproveitar todas as coisas boas do lugar.
Nossa, ri demais da sua história! Li pra todo mundo aqui de casa..
Sou daqui de Manaus, na próxima visita, avise! podemos te dar pelo menos uma carona.
Será um prazer, Grazie
Vc vacilou muito, mas o legal é que o início da viagem foi bom…=)
Ai ai, eu ri horrores.
Você foi vitima de um mal regional ” A leseira baré ” é o próprio ambiente os encantos de um lugar único o clima quente e húmido a selva as lendas o primitivo e o moderno
Isso chega a embriagar as pessoas que nos visitam.
O caboclo que sobrevive maravilhosamente bem nestas condições inóspidas e que mesmo assim é muito criticado, diria pra você
Tumma Lésoo!!!
Te espero na copa de 2014 para uma pescaria no interior do Amazonas tudo grátis, Hê hê hê!
Maravilha Philipe, adorei seu texto, muito bem escrito, e estou indo para manaus daqui a 2 meses, rsrs. Mas prometo que não vou comer cachorro quente na rua. Grande abraço
Cara aa
Cara acabei de ler sua historia e vi o quanto foi sinistro sua vinda a Manaus. Espero que tenha sorte da proxima vez e me avise quando estiveres aqui que levarei vc pra comer um X Podrao com direito a lactopurga :D kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
RI muuuito da sua aventura…estau indo daki a 11 dias pra manaus com minha familia e me lembrarei de NÃO comer o podrao rsrs um abraço
Muito bom, cara! kkkk rachei demais com vários termos que você usou; leitura relaxante; você quer ir até o fim; já coloquei nos fvrts. Abraço!
Ri muito…rs