A esfera preta – Parte 4

Os homens de preto

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Two men in suits alley 202605121027 | Contos | conto, Contos

André estava recostado junto da parede fria. A cela cheirava a mofo e medo.
Ele se encolhia no canto, joelhos contra o peito, olhos fixos na esfera preta que pairava dentro da cela, ao lado dele. Imóvel a exatos dois metros e meio, lisa como obsidiana líquida, parecia sugar a luz fluorescente do corredor.

O zumbido das lâmpadas, imperceptível nas primeiras horas, com o tempo foi se tornando irritante. Ele misturava-se às sirenes distantes, ecos de uma Evanston transformada em circo. Dava pra ouvir a multidão lá fora. A cantoria dos religiosos estava cada vez mais alta.

As horas na cela se arrastavam desde a prisão. No fim do corredor, um relógio da parede, marcava 19h25. A coletiva prometida pelo delegado Kline estava a minutos de começar. Ele não tinha ido nem um pouco com a cara do advogado de quinta categoria que seu primo arrumou. Era um tal de Carl Wilson. O cara apareceu com uma roupa que parecia ter sido roubada de um defunto. Duas vezes maior, apesar do barrigão dele. O homem era calvo, com uma careca centralizada no crânio que contrastava com dois tufos de cabelos encaracolados e brancos nas laterais, que conferiam a ele uma aparência cômica que lembrava um palhaço. E ele não tinha um dente bem na frente. Isso sem falar no bafo.  André sabia que com aquele advogado suas chances de sair da prisão e conseguir fazer o sistema entender que ele não matou o policial eram mínimas.

O tal Carl Wilson havia acompanhado seu depoimento formal, mas foi mais como um peso morto. Não ajudou em nada; apenas ficou ali, ouvindo quieto as perguntas do delegado.
Curiosamente, o delegado parecia ser a única pessoa que realmente esteve ao seu lado, com uma atitude mais compreensiva. Talvez o fato de que a bola estivesse bem ali na sala, pesasse a seu favor.

Lá fora, o mundo fervia. Caminhões de satélite entupiam a Dempster Street, cabos se espalhavam no chão, como veias expostas no asfalto. Alguns drones passaram voando – o que parecia algo irônico àquela altura – e filmando a multidão que já ultrapassava as 500 cabeças: tinha gente com binóculos, pastores com megafones, vendedores de “Esfera Slayer” em camisetas baratas.

Ninguém menos que Jack Harlan, do Notícias das Três, chegava para entrar no link ao vivo de um estúdio móvel. Jack desceu da van com sua gravata frouxa. Ele consultava o celular. A hashtag #DroneKiller estava dominando as redes com taxas de 50 milhões de views em horas.
Jack pediu um café ao auxiliar e, enquanto pensava, olhou para a multidão se aglomerando e pensou em sua sorte. Era um período relativamente calmo.

O rapaz estendeu a Jack o café que não estava muito quente, mas naquela noite que prometia ser bem fria, com contraste com o sol da manhã, estava aceitável. Jack bebeu o café enquanto os rapazes da técnica preparavam o link e Joe Spozzito, seu repórter cinematográfico, montava o tripé Stadler com a câmera Betacam enorme da Sony. Jack Harlan voltou a pensar sobre a conjuntura.

Nada estava acontecendo de muito importante no mundo naqueles dias. Os conflitos do Oriente Médio estavam num compasso de espera, onde as notícias de hoje pareciam com as de ontem, que também pareciam com as de anteontem e também de toda a semana passada. Na política interna, pouco havia para falar, elefantes e asnos ainda se estranhavam, com as fofoquinhas de sempre e brigas palacianas em Washington, mas nada havia de realmente impactante, como um Watergate, ou como foi a morte de JFK. Sem grandes eventos midiáticos no horizonte.
Aquela esfera chegou num momento em que os jornalistas pareciam estar como alguém em busca de água no deserto. E aquela bola e seu mistério, eram um belo e úmido jarro de água com gelo, em pleno Saara das novidades…

Joe consultou o relógio e acenou para Jack. Estava na hora. As pessoas se apertavam curiosas.
Na porta da delegacia alguns homens montavam uma mesa dupla com uns microfones. Felizmente, o vento havia dado uma trégua, trazendo um mínimo de conforto em meio ao frio.

Jack se posicionou e esperou. Combinou com Joe que gravariam a cabeça da matéria para o Jornal das Oito logo após o pronunciamento do delegado. Agora Joe estava concentrado em focalizar e pegar o melhor ângulo da mesa, evitando que os caras da CNN furassem seu spot.  Uns caras da Fox testavam seus refletores, e o povo ao redor, um pouco afastado da área dos jornalistas, era iluminado pelos clarões dos flashes das fotografias.  Já passava da hora marcada quase cinco minutos, e os repórteres com links ao vivo ativados a peso de ouro estavam impacientes. Alguns, pressionados por suas produções, já tinham começado a gravar, tentando ganhar tempo, e faziam uma recapitulação dos fatos, para a felicidade de Elvis, o caminhoneiro que ganhava mais e mais projeção como o Herói que conteve o maníaco do drone.

Houve um súbito silêncio quando as portas da delegacia rangiam. Três homens de paletó saíram e sentaram-se à mesa improvisada diante da entrada. Eles testaram os microfones com batidinhas. Os fotógrafos estavam jogados pelo chão com as câmeras a mil: “clak,clack,clak…”
Os flashes estouravam num efeito estroboscópico.

O delegado Kline se apresentou, e na sequência, apresentou também dois investigadores.

Nos primeiros minutos, o que eles fizeram foi apresentar André, com uma ficha criminal limpa. De fato, as pessoas ficaram sabendo que ao contrário do que se dizia, André Silva não era um imigrante ilegal. Ele era um imigrante legalizado esperando sua documentação de cidadania que estava em trâmite. Morava na América fazia cinco anos e trabalhava numa empresa de venda de carros onde era respeitado. Seus vizinhos não tinham absolutamente nada a dizer sobre ele, e tudo indicava que era uma pessoa absolutamente comum. Um cidadão de bem.  Harlan, que acompanhava Joe, com o olho espetado no viewfinder da câmera, observou o rosto das pessoas. Houve um pequeno momento de decepção nas pessoas ao saber que André não era um terrorista.

Jack, por sua vez estava decepcionado por outro motivo:  sabia que aquilo era um mau sinal. Sem o contexto terrorista, a história perderia tração mais rápido. Sem dúvidas, o drone assassino poderia se tornar só mais uma história pitoresca local. Se isso acontecesse, seus planos para um alcance e projeção nacional iriam por ralo abaixo.

O jornalista pegou seu bloco de anotações no bolso do paletó e escreveu a lápis: “Se não é terrorista, o que é o Drone?”

O Doutor Kline continuava com sua voz monótona a contar como, no depoimento, o homem revelou que ele não tinha controle do drone, e que o policial havia tocado deliberadamente na esfera por vontade própria…

Jack pegou novamente o caderninho e escreveu: “Assassino” e depois riscou a palavra ao meio. Ele sabia que mais uma carta do castelo do sucesso acabava de cair. Essa carta era importante, porque sem crime, sem clamor público. A história ia esfriar!
Kline dizia que a esfera estava como que “travada no alvo” e o alvo era o senhor André, que estava preso preventivamente.

Equipes de agentes tinham periciado sua casa, seu carro e não acaram nada que justificasse a autoria do objeto. Ele também disse que André negava saber da origem da esfera, limitando-se a dizer que ela já estava no quarto quando ele acordou.
Kline disse que a razão de prender André era também para evitar que mais alguém tocasse na bola.
Os investigadores falaram na sequência, repetindo com palavras diferentes elementos do depoimento, e explicaram que alguns elementos ainda estavam sob investigação policial e, portanto, não seriam tratados naquela coletiva.

Jack ficou com uma sensação de que a coletiva servia muito mais para os três aparecerem do que realmente para dar satisfações à população. Era algo comum. Em seus trinta anos de jornalista ele ja tinha visto aquele tipo de vaidade muitas vezes.

A coletiva estava chegando ao final, quando o organizador abriu espaço para algumas perguntas dos jornalistas. Jack sabia que uma delas viria pra ele, dada sua projeção no canal. Era preciso criar algo marcante, algo que catalisasse todo aquele elemento de mistério e que aderisse de forma poderosa à mente das pessoas, para mantê-las consumindo as notícias. Ele se lembrou de uma frase de seu mentor J.F. Linney: “Um jornalista não é um surfista. O surfista precisa do vento, mas o bom jornalista, sabe fabricar sua própria onda…”
Ali estava sua chance. Ele não teria muito tempo. A primeira pergunta veio da CNN, é claro. Aqueles baba-ovos de ricos.

O jornalista da CNN perguntou sobre o material do qual a esfera era composta. Era uma boa pergunta, e Jack sentiu o gosto amargo da inveja, teria sido uma boa pergunta para ele fazer.
Os investigadores se entreolharam na mesa e Kline se aproximou do microfone e disse apenas:
— Ainda estamos investigando.

Isso esvaziou um pouco a moral da CNN, e Jack sentiu que era hora de dar seu show. Ele levantou a mão e acenou com a caderneta acima de sua cabeça. Kline apontou pra ele com o indicador em riste.

— O senhor disse que a ESFERA PARASITA está com ele na cela. Como colocaram a esfera parasita lá?

Houve um momento de silêncio. Todos se entreolharam e Jack sentiu que tinha feito o jackpot. As pessoas começaram a cochichar “esfera parasita” na multidão.
Os flashes, estouravam para todos os lados.

Kline se inclinou para o microfone e disse:

— Sabe, isso é interessante. Nós abrimos a porta da cela, e.. a ESFERA PARASITA entrou… E ela veio voando atrás, em silêncio um pouco acima da cabeça dele, e eu achei que ela fosse bater na grade, na parte acima da porta da cela, mas ela fez um vuuupt — O delegado acenou com a mão, desenhando um “S no ar — e passou por baixo.

Estava feito. Jack Harlan sorriu e agradeceu. Kline levantou a sobrancelha em resposta, e passou a próxima pergunta de um jornalista sobre como removeram os pedaços do policial da estrada e quando seria o sepultamento.

A coletiva estava chegando ao fim. Ainda faziam perguntas, quando o organizador limitou as ultimas três perguntas pelo avançar das horas. E a multidão já começava lentamente se dispersar.
Joe e Jack montaram a estrutura de transmissão ao vivo do outro lado da calçada.
Mike da van acenou que o link estava ativo.

— No ar em 3…2…1…

Jack deu alguns segundos enquanto ouvia no ponto o apresentador do jornal da noite contando sobre o assassinato do policial Evans.

A luz estava acesa e Jack começou a contar para a câmera sobre a coletiva da polícia.

— André Silva, 34 anos, residente temporário. Detido por homicídio culposo. Artefato sob custódia federal…

As novidades eram que não se tratava de um caso terrorista, segundo os investigadores, mas que ainda havia um mistério sobre a ESFERA PARASITA. Jack forçou uma voz um pouco mais grave, num tom cavo, na esperança de que soasse como Robert Stack, do programa Unsolved Mysteries, que havia sido um sucesso estrondoso na América no final da década de 80.
Samatha Blast, a apresentadora do jornal da noite, entrou ao vivo pelo link e perguntou o que Jack pensava que poderia ser a esfera parasita.
Jack sacou seu arsenal de hipóteses lançadas pra ele e anotadas diligentemente na caderneta ainda na bancada do jornal da tarde, e passou a enumerar o que achava mais provável:

  • arma secreta
  • maldição obscura
  • objeto extraterrestre
  • fenômeno quântico desconhecido

E após enumerar esses, lembrou-se da Santería que Dolores havia lhe dito na bancada e disse:

— E talvez a esfera possa ser… um anjo!

— Um anjo? Samantha indagou.

— A esfera parasita está perseguindo esse homem, e não se sabe o motivo, Samantha. E se na verdade essa esfera for uma materialização do anjo da guarda desse rapaz?

— Mas um anjo não devia ter asas e ser… bonito?

— Bem, talvez seja uma representação humana, não sei. Quem sabe se eles podem mudar sua forma? Samantha, tudo o que sabemos sobre a esfera parasita até o momento é que não sabemos praticamente nada! Eu sou Jack Harland, falando diretamente da coletiva de imprensa no centro de Evanstown para o jornal da noite.

Quando o link foi desfeito, Joe veio apertar a mão de Jack.

— Porra Jack, genial a parada do anjo da guarda! De onde você tirou essa?

— Bem, anjos são muito populares ultimamente, e como todos se apressaram para dar um contexto negativo para a esfera, talvez possamos criar uma confusão benéfica deixando o público curioso sobre a natureza dessa merda.

— Genial, Jack. Genial pra caralho e o nome “esfera parasita” vai pegar, hein?

— Sabe, Joe, vou te dizer uma coisa… Ah, valeu, Mike! — Jack Harland pegou um novo copinho de café das mãos do assistente de produção e continuou — …Sabe o que diferencia um bom jornalista de um surfista?

Do outro lado da calçada, a multidão se dispersava. Ainda havia um grupo de religiosos entoando seus cânticos quase na esquina.
O vendedor de cachorro-quente estava contando a bufunfa da noite com enorme satisfação quando ao lado da carrocinha estacionou um carrão preto. Dele desceram quatro homens altos com ternos pretos. Eles foram direto para a faixa de isolamento e falaram qualquer coisa com um dos guardinhas, que imediatamente levantou a faixa para que entrassem no perímetro.

Jack com seu olho treinado, interrompeu a fala e apontou.

— Joe! Filma, filma!

Joe correu na van, pegou a câmera e atravessou a rua correndo entre as pessoas, já filmando.
Conseguiu registrar quando os homens misteriosos acabaram de entrar na delegacia.

O repórter cinematográfico apontou a câmera para Jack, que se deu ares e tentou conter a respiração ofegante.

— Parece que agentes federais acabaram de chegar à Delegacia. Ainda não sabemos quem são esses homens, mas eles acabaram de atravessar o perímetro e entraram no departamento…

Feita a gravação, Jack foi até o policial e perguntou quem eram eles.
O policial não quis dizer nada. Se recusou.

Jack achou aquilo bem estranho. Cutucou Joe.  — Meu sexto-sentido me diz que esse negócio vai render.
Joe apertou os olhos como um velho cowboy pronto para sacar sua arma e nada disse.

— Vamos deixar essa galera dispersar. Vamos ficar mais um pouco.

As horas foram passando. Os veículos de link ao vivo com suas grandes parabólicas montadas no topo ja tinham saído, e cerca de noventa porcento dos curiosos já tinham voltado para casa.
As horas passavam e o frio estava aumentando e para piorar, o vento estava de volta, castigando a avenida ao ser canalizado pelos prédios de vidro e aço dos dois lados da via.

Joe bocejou, consultou outra vez o relógio.

— Já deu a minha hora, hein, Jack?

— Calma, rapaz. Acho que vamos ter novidades. Vamos comer alguma coisa. Eu pago.

Os dois foram até a carrocinha de hot-dog. Pediram dois duplos com mostarda.

— Só tem da salsicha alemã com curry.

Eles deram de ombros — Se é o que tem…

E ficaram ali conversando sobre os homens.
O vendedor da carrocinha, ouvindo a conversa, se meteu: — Esses caras estranhos? Eles vieram naquele carrão ali! — E apontou o veículo parado perto da esquina, na lateral do predio da polícia.

Jack Harlan e Joe Spozzito se entreolharam e foram até o lugar. Com o celular, Jack fotografou a placa e mandou para a equipe do jornal com uma curta missiva: “Puxe tudo que tiver e me manda!”

— Encara mais um? Ele perguntou ao italiano.

— Opa!

Os dois voltaram para a carrocinha e pediram as duas últimas salsichas.

— Dá um desconto aí, camarada!

— Opa, claro. Promoção: Leve dois e pague um!

Enquanto mastigava seu cachorro-quente com gosto pronunciado de curry, sabia claramente que a mistura do curry com aquele café de isopor lhe daria uma terrivel dor de estômago no dia seguinte.
Jack sentiu o celular vibrar no bolso. Ele recebia a mensagem no celular. Era a equipe de apuração da GBC com uma mensagem bem estranha:

“Nada! Esse carro não existe! Checamos nos sistemas federais e estaduais. A placa é real como uma nota de três dólares.”

“Ok. Fico te devendo uma cerveja, Tub.” Jack teclou e guardou o celular.

— Aposto dez pratas que o carango ali não existe.  — Disse Spozzito.

— Exatamente. Ali. Tá vendo o beco? — Jack apontou com o naco do cachorro quente que restava, a salsicha pingando mostarda no chão — Vamos montar tudo ali no escuro e esperar.

— O Mike vai ficar puto, Jack…

— Foda-se o Mike. Depois ele pede hora extra pra Lucy.

Spozzito deu uma gargalhada e atravessou a rua com más notícias para o rapaz da van que fumava um cigarro encostado no capô.
Minutos depois, estavam ali entre ratos e latas de lixo, ocultos pela escuridão do beco.  Joe consultava o celular. Deu uma cotovelada em Jack e mostrou. A coisa estrava ganhando tração.

— Jack, saca só.

A mídia não parava. Late-night shows satirizavam: “Drone assassino, esfera parasita ou bola de basquete amaldiçoada?” Memes de André com Photoshop de alienígena. Investidores criavam NFTs da “Esfera parasita”. Políticos tuitavam: “Ban aos drones já!” e conclamavam uma lei emergencial no Congresso.
Mas o que deixou Jack Harlan satisfeito é que o termo “Bola parasita” tinha virado trending topic em várias redes sociais. Ele havia finalmente batizado o fenômeno e deixaria o nome marcado na história do jornalismo.

Todos tinham ido embora. O centro estava vazio. A pedido de Jack, Mike já tinha tirado a van da frente da central de polícia e estacionou do outro lado do quarteirão.

Os dois esperavam no escuro do beco. O odor de urina e vômito beirava o insuportável.

— Se eu soubesse do fedor desse beco imundo, eu teria montado essa campana em outro lugar. — Ele disse entre dentes. Estava tremendo. O frio da madrugada tinha aumentado.  O homem do cachorro-quente já tinha ido embora e o caminhão dos jornais acabara de passar na avenida.

— Aposto que a bola é tema de capa. — Disse o italiano.

— Não precisa nem apostar. Todo mundo vai se agarrar nessa merda nesses dias em que não acontece nada de relevante…

— Olha, Jack! Estão saindo!

–Filma Joe!

Joe acionou a câmera apontada para o carro. Um dos homens de terno preto, impecável, saiu. Foi até o carro. Eles viram do beco a luz azulada dentro do veículo.

“Está telefonando”… – Joe sussurrou.

Minutos depois, eles escutaram um barulho conhecido. Parecia ser o caminhão dos jornais de volta na avenida, mas não era. Um furgão enorme, com um tamanho quase que equivalente a um caminhão, parou na porta da delegacia.
A porta se abriu, mais homens de terno saíram e fizeram um tipo de varredura, olhando para todos os lados.

Então a porta traseira do furgão se abriu em duas, e da delegacia surgiram policiais. Eles foram até o furgão. Dali, um tempo depois, André apareceu, andando com as mãos para trás, algemado. Ele era escoltado por dois policiais portando armas nas mãos.
E logo atrás dele a bola.

— Ah! Lá está ela! Finalmente!  — Jack estava exultante e não conseguiu conter o palavrão — Puta que pariu, mas que porra é essa, malandro?

André foi até o veículo e entrou. A bola entrou junto.

Os homens fecharam a porta da enorme van preta.

Eles ainda olharam ao redor, numa atitude suspeita, como se estivessem se certificando de que ninguém estava vendo.
A Van saiu em disparada. Os policiais voltaram para a delegacia e os homens de terno retornaram ao carro preto. Então, pararam um de frente para o outro por uns segundos e nada disseram. Ficaram se encarando e Jack notou como eles eram estranhamente pálidos. Depois eles voltama a se mover. Entraram no carro. Ele acendeu os faróis e manobrou na rua lateral.

— Abaixa, Joe! — Jack, sussurrou se escondendo atrás de uma lixeira fétida, quando a luz do farol atravessou iluminoando o interior do beco.
Joe se jogou de lado e caiu sobre uma caixa de papelão molhada. Sua mão afundou em alguma coisa cremosa e fedida que ele nem quis olhar.

O carrão saiu em disparada seguindo a enorme van preta.

— Levaram o cara. — Disse Spozzito.

— A questão é: Quem levou e… Pra onde?

— Parabéns, Jack. Temos o furo do noticiário da manhã!

— Sabe que essa noite eu não vou dormir. — Ele disse, saindo do beco e se espreguiçando.

— Preciso de um banho.

— Precisa mesmo! — Jack concordou, já pegando o celular para mandar a mensagem para a supervisora Lucy. Empolgado, sabia que daria as cartas no jogo.

 

“Lu, filmei os homens de preto! Avisa a equipe do plantão que já estou chegando aí! Agora: A história é minha, o furo é meu, e quero exclusividade na cobertura da matéria!”

CONTINUA