Coberto com 5000 escorpiões

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Imagina só a cena: um cara, de boa, se enfiando debaixo de uma montanha de 5 mil escorpiões vivos. Não é pesadelo, não é efeito especial de filme trash. É um show de verdade que rolou em Jacarta, na Indonésia, e que deixa qualquer um com a pulga atrás da orelha (ou melhor, com o escorpião nas costas). O que leva uma pessoa a fazer isso? Dinheiro? Fama? Ou será que ele simplesmente descobriu que tem um superpoder bizarro de imitar um formigueiro, só que venenoso?

O vídeo que viralizou mostra o performer, conhecido como “Scorpion King” em algumas reportagens, completamente coberto pelos aracnídeos em um parque de diversões. A história por trás é que ele passou dias na floresta caçando cada um daqueles bichos para o espetáculo. E o show não era coisa de uma vez só: ele se submetia a essa cobertura viva e se mexendo até 29 vezes por dia. Vinte e nove! Só de pensar, minha coluna já treme toda. O público, claro, ficava hipnotizado, num misto de horror e fascínio que só coisas verdadeiramente bizarras conseguem provocar.

 

 

O que sabemos sobre esses bichos peçonhentos?

 

 

Antes de achar que o cara é simplesmente maluco, vale dar uma olhada no que são esses animais. Os escorpiões são aracnídeos antigos, tipo parentes distantes das aranhas, que existem há mais de 400 milhões de anos. Eles são mestres na arte da sobrevivência. Dá pra encontrar espécies deles em quase todo canto do mundo, desde desertos escaldantes até algumas florestas tropicais. A maioria das espécies tem uma picada que, para um adulto saudável, é equivalente a uma ferroada de abelha – dolorida, mas não mortal. O problema mesmo são as espécies mais perigosas, cujo veneno pode ser fatal.

O que me deixa pensativo é: como ele faz pra não ser picado? Aí que entra um truque. Muitos performers que lidam com escorpiões contam que, se você manuseia os bichos com calma e evita movimentos bruscos, as chances de levar uma ferroada diminuem muito. Eles não são agressivos por natureza; atacam pra se defender. Acho que o segredo é fazer o escorpião acreditar que você é só um terreno meio estranho e quentinho, e não uma ameaça. Mas convenhamos, confiar nisso com 5 mil deles em cima de você exige uma coragem (ou uma falta de noção) que eu, com certeza, não tenho.

 

 

O limite entre a arte e o perigo

 

 

Esse tipo de show extremo levanta um debate danado. É entretenimento ou exploração animal (e humana)? De um lado, tem a tradição de performances de risco que existem em várias culturas, um testemunho bizarro da capacidade humana de enfrentar o medo. Do outro, fica a pergunta sobre o estresse causado aos animais, tirados do seu habitat, e os riscos reais à saúde do performer. Uma picada errada, de uma espécie mais forte que escapou no meio daquela multidão de cascudos, e a história poderia ter um final trágico.

Eu mesmo já vi shows de “encantadores” de serpentes e sempre fico com um pé atrás. A gente romantiza, mas no fundo é um trabalho de altíssimo risco que muitas vezes esconde uma realidade bem complicada. Será que o público em Jacarta parava pra pensar nisso, ou só queria mesmo era tirar uma foto insana para o Instagram? Acho que um pouco dos dois.

 

 

Por que a gente não desgruda os olhos?

 

 

E por que a gente fica assistindo? Tem algo na nossa psique que é atraído pelo tabu, pelo perigo visto de uma distância segura. É o mesmo princípio do circo com os trapezistas ou dos filmes de terror. A gente experimenta a adrenalina do risco sem, de fato, estar em perigo. Ver um homem coberto de escorpiões é testemunhar alguém desafiando limites que a maioria de nós nem se atreve a chegar perto. É uma sensação estranha, meio nojenta, meio fascinante. Dá um frio na barriga e uma vontade de olhar e desviar o rosto ao mesmo tempo.

No fim das contas, o cara coberto de 5 mil escorpiões é um símbolo extremo de algo universal: a busca por se destacar, por causar espanto, por virar atração. Se é a maneira mais sensata ou segura de fazer isso? Certamente não. Mas é inegavelmente eficaz. Você pode até esquecer o nome do parque ou da cidade, mas dificilmente esquece a imagem daquela silhueta humana transformada em um monte se movendo. É bizarro, é perturbador, e, de uma forma que não sei explicar direito, é um negócio tipicamente humano. Muito louco isso né?

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2 Comentários

  1. Miltonstockler

    o escorpião preto é o menos venenoso de todos os escorpiões. e se não me engano a picada dele  não  é fatal para o ser humano. Milton.

  2. Rasputim

    napalm neles!

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