Às vezes eu fico à deriva nas redes sociais para ver onde a correnteza me leva. E ultimamente, ela tem me levado por correntes de cocô e água poluída.
O X, que eu não chamo de X, e sim de Twitter, (pra mim até Plutão ainda é planeta), é um dos lugares mais insalubres para a sanidade mental de uma pessoa na internet hoje. Eu não sei que merda que o trilionário fimador de erva arrumou naquele troço, mas ficou uma MERDA. As pessoas são agressivas, as conversas estúpidas, e a violência, a barbárie e o gore explícito, me fazem lembrar na hora por que passo tanto tempo sem entrar ali.
Porra, se eu quisesse ver putaria bizarra e gore, eu ia no HeavyR ou no Portal Zacarias. (OBS: não recomendo – se você soubesse em cada esgoto em que já entrei…) Lembro de uma pesquisa que eu fiz para saber quanto que as moças do 2 Girls 1 cup ganharam para comer aquela “sobremesa”, mas o Google não gostou do meu post e me mandou apagar ou eu seria defenestrado.
Nessa o Google estava certo. (Saber de coisas assim, deve reduzir nosso tempo de vida, hahaha). Mas voltando o negócio das redes sociais repletas de ondas de posicionamento.
Uma dessas aconteceu recentemente comigo. Uma ONDA, praticamente um tsunami de posts de conservadorismo que apareceram e foram tratorando tudo pela frente. (alguns amigos meus como também notaram)
Está claro que desde a posse do Trump o Zuck se rendeu. Nada a espantar, já que como diz o ditado mineiro, “fogo de morro acima, água de morro abaixo e Mark Zuckeberg atrás de dinheiro, ninguem segura”.
Hoje li que o laranjão deu a ele um cargo importante no governo (claro, já mirando na manipulação prévia da Guerra Civil que vem na eleição).
Quando eu estava no hospital, fiquei chocado ao ver uma completa explosão de posts de direita radical popicarem na minha timeline, e como eu sou de “centro”, do tipo descrente sem politico de estimação porque considero todos eles CANALAHAS, e o sistema político e eleitoral do Brasil é só um teatro para iludior o povo de que ainda existe alguma moralidade num sistema SEQUESTRADO E DOMINADO POR BANDIDOS HÁ DÉCADAS que suga da sociedade até a última ota de sangue, tenho amigos dos dois lados do espectro. Tenho amigos que acham que o Lula é Deus e outros que o Bolsonaro é o Messias. Bem, Messias a gente tem que aceitar ele é.
Curiosamente, os de direita acham que eu sou de esquerda e os de esquerda acham que sou de direita, quando, na verdade, sou só um infeliz descrente que paga imposto sem ver resultado.
Mas falando nessa galera, eu tenho notado que esse “conservadorismo” contemporâneo, no Brasil e talvez até no mundo, revela uma contradição gritante: autodenominados guardiões de tradições mas que abraçam modismos importados que mal completaram três décadas de existência, enquanto desprezam raízes culturais locais.
Essa tendência, criticada por alguns e observada globalmente, questiona a joça do que esses grupos buscam preservar.
Modismos “Conservadores” no Brasil
No Brasil, boa parte da rotina de muitos “conservadores” orbita em torno de fenômenos inéditos há 30 anos: ideologias red pill e MGTOW, teorias conspiratórias sem fontes confiáveis, teologia da prosperidade em megaigrejas com áreas VIP e paredes pretas, dietas carnívoras radicais, lendas urbanas online e, sobretudo, a cultura coach.
Essa última impõe vícios em discursos motivacionais rasos, uma meritocracia distorcida (onde imitar hábitos de bilionários supostamente garante riqueza – o que me parece uma ideia bem debilóide), banheiras de gelo e fórmulas de autoajuda americanas, adulteradas em redes sociais por quem ignora as origens.
Essas novidades ocupam espaço desproporcional na vida de quem se diz apegado ao passado.
Ortega y Gasset, em A Rebelião das Massas (1930), diagnosticava o “homem-massa” como ávido por facilidades técnicas sem responsabilidade cultural, invertendo valores tradicionais. No Brasil atual, isso se manifesta em cultos à personalidade, admiração por ditaduras, militância obsessiva que politiza o trivial, populismo de massas e mobilizações constantes, que formam um traço que a mim – que não sou nenhum inteligente, você sabe – soa como algo oposto ao conservadorismo clássico.

Pior: há em algum lugar dentro desse arquétipo do novo conservador de sapatênis o desprezo pela essência brasileira: o samba, a literatura de Machado de Assis, festas juninas, folclore indígena e afro, costumes regionais, biodiversidade da Amazônia, e um ranço claro por toda uma facção da MPB. Aí eu já até entendo, pq aceitar que um eleitor do Jair goste do Chico Buarque, também é exigir demais.
Basta abrir o Instagram, um dos templos do tio Zuk para formatar nossa mente e veremos que o post viral no Instagram hoje resume: priorizar as “tendências gringas”.
Mas sei lá, talvez eu esteja cometendo o sacrilégio proibido do viés de confirmação. Talvez no Tiktok ou no Kawai o povão esteja fazendo outra coisa. A linguagem certamente muda conforme o veículo (e aquela matemática perversa que controla o que sobe e o que desce na roda gigante do algoritmo).
EUA e o berço dos modismos
Nos Estados Unidos, o epicentro dessas tendências, o fenômeno aparece mais claramente, eu acho. O bagulho do “red pill”, inspirada em Matrix (1999), surgiu em fóruns masculinos supremacistas como PUA, rights activists e MGTOW, alegando “despertar” contra suposto privilégio feminino, e dali foi evoluindo (bem, talvez “evoluindo” não seja exatamente o termo ideal hahaha) para o niilista “black pill” em grupos incel.(se vc não sabe do que se trata, vc é feliz e eu te invejo)
Conservadores adotam isso como “verdade anti-woke”, ignorando raízes anti-tradicionais. Claro que tem sempre aquelas militantes da franja esquisita que parece que trabalham pra esses caras. Ainda de dentro da sacola de compras do capiroto, saem a “teologia da prosperidade”, com megaigrejas prometendo riqueza via doações (#confia “invista em Deus, receba retornos”), que explodiu nos anos 80, alinhando-se ao consumismo capitalista. Essas ideias vieram meio que na boleira de um misticismo generalizado que tomou o mundo e deixou o Paulo Coelho mais rico.
Pregadores como Paula White, exaltados por Trump, ligam piedade à prosperidade financeira, reduzindo pobreza a uma falha moral, veja bem… (De falha moral o cara entende) ecoando no apoio evangélico a políticas neoliberais.
Lá fora, depois daquela palhaçada toda, Trump acaba reeleito em 2024, e trabalha forte no culto à personalidade, misturando populismo com “cancel culture” conservadora contra “insuficientemente direitistas”. Mas talvez um dos fenômenos que me estarece mais em tudo isso que está aí hoje é o negócio das realidades opcionais. Se você não gosta do que está acontecendo, basta aderir à versão da verdade que ele oferece e pronto. A verdade, que meu professor de História e próspero dono de pizzaria, o Roque, me ensinou que é relativa, chegou ao literal.
A cultura coach, com gurus como Tony Robbins, virou as redes sociais em verdadeiras máquinas de venda da meritocracia tóxica: “trabalhe duro, vença pelo esforço”. Discordar é cair no vale da oposição binária e ser rotulado de comunista.
Michael Sandel, em A Tirania do Mérito, critica como isso ignora desigualdades estruturais, fomentando ressentimento que elege essa galera populista como Donald Trump e os carinhas por trás do Brexit.
Aí tem com tudo mais as “novidades” que aquele seu amigo de direita jura que sempre fez. Banheiras de gelo (Wim Hof method, popularizado pós-2010) e as dietas carnívoras (turinadas pelos influencers como Joe Rogan) viram rituais “anti-sistema”, mas são novidades high-tech.
Europa: o populismo grassa
Na Europa, o padrão parece que se repete. Lendo os jornais podemos ver que na Hungria de Orbán, “conservadorismo iliberal” adota conspirações QAnon-like, anti-globalismo seletivo e cultos pessoais, enquanto erode folclore local em favor de narrativas nacionalistas importadas.
Na França, Marine Le Pen mistura meritocracia “trabalhadora branca” com coach-style retórica anti-imigração, desprezando tradições rurais gaulesas em prol de memes virais. Mas sejamos sinceros, isso funciona direitinho, desde os anos 30.
Reino Unido pós-Brexit está se enchendo de conservadores abraçando também a filosofia “red pill” britânica. Seria um efeito das redes sociais? Dos grupos e fóruns de channers? Não sei.
Da Ásia a América Latina
Na Índia de Modi, há referências de que grupos conservadores estão integrando a teologia da prosperidade evangélica-protestante com gurus coach locais, politizando o hinduísmo via WhatsApp chains, o que vai desprezando a diversidade cultural pré-colonial.
Ao mesmo tempo, nas Filipinas ganha força o populismo com MGTOW importado e anti-tradições indígenas. Por aqui o nosso hermano Milei dispensa apresentações. O anarcocapitalismo com coach vibes (livros de autoajuda), cripto-dietas radicais e desprezo por tango/folclore peronista, priorizando “liberdade global”.
Mais ali em cima, na Colômbia e Chile ja temos os evangélicos prometendo a prosperidade financiando direitistas, misturando tudo com um toque de red pill.
Enfim, estamos ai com um “conservadorismo cheio de novidades”, hehehe. Mas fora isso, acho que tem um problema extra. Há uma complicação esquisita entre o que as pessoas são, aspiram ser, e estão sendo convencidas a ser.
As pessoas estão perdendo certas capacidades. Outro dia me deparei com um desses cras que vãoi em podcasts arrotar jumentices e o cara meteu um “o Brasileiro tem QI abaixo do de um macaco”. Gente, esse tipo de argumento é tão tacanho, tão desprovido de qualquer base lógica, que dispensa refutações. Mas não é exatamente da inteligência que me refiro quado digo que perdemos alguma coisa no caminho. O pessoal parece que perdeu a capacidade de viver sem consumir.
O consumismo se tornou o modo de estar no mundo. E eu acho isso meio grave, na medida em que transformou relações, lazer e até a infância em roteiros pagos.
Vida antiga versus moderna
Antigamente, as pessoas se encontravam na praça, na calçada ou na casa do outro, levando viola, baralho ou conversa, com zero custo e máxima presença. Hoje, chamar alguém para sentar no parque soa estranho: “Mas vamos fazer o quê?”
Estar junto não basta mais! É preciso de uma agenda consumista. É preciso ir ao shopping center, comer um lanche plastificado, uma pipoca superdimensionada com um aditivo sabor manteiga ou óleo diesel, que não sei bem se é mesmo, e tomar um galão de refrigerante enquanto seus sentidos serão dominados por duas horas de explosões piroclásticas, monstros, ciborgues, robôs e vampiros extraterrenos místicos voando dos quadrinhos para a tela.
Isso é a diversão. Depois, pra arrematar, uma passana na loja de bugigangas para comprar a camiseta do personagem e quem sabe, o bonequinho.
E as Viagens?
Elas viraram checklists instagramáveis: restaurantes famosos, mirantes, lojas conceito, hotéis com vista… Agora viver é isso. Tudo planejado, pago e documentado. As pessoas não querem apenas viver, mas é preciso mostrar que viveram, mostrar que estavam plenas na piscina do resort com drinks coloridos, mandar mensagens goodvibes no post “prasamiga” e ainda deixar um “beijim no obro pras inimigas”. Nunca tanta gente se sentiu invejada, e hoje, a sensação de ser invejada, mesmo que artificailmente, é um indutor da sensação de sucesso.
Bem vindo ao mundo de plástico, onde tudo soa falso, dos sorrisos de bico de pato turbinados pelos preenchumentos aos sorrisos falsos com dentes de mentex.
Ao fim da viagem, as pessoas retornam exaustas, o cartão estourado, mas a sensação do dever social cumprido. A opresão sentida naquela viagem da amiga, finalmente foi passada para a frente. O oprimido voltou a ser o opressor e tudo está bem novamente no seu lugar no mundo. (Pelo menos até o dia que a vizinha vá pra Dubai)
Voltam os viajantes de instagram achando que viveram, mas só consumiram pacotes turísticos industrializados vendidos como autenticidade. Mas embora o corpo implore um descanso de verdade, ele não estará lá porque hoje é quinta e amanhã:
O sextou e o compulsório fim de semana feliz
No fim de semana, sem graça própria, as pessoas precisam, tal qual panelas de pressão, liberar a energia: gasta-se, obviamente, para ter o que fazer. Seja cinema, shopping, restaurante, balada ou bar. (de preferência tudo isso mais a mureta da Urca ou uma peça do famoso)
Ficar em casa é tédio; mas é também algo pior: É declarar sua insignificância ao algoritmo.
Andar na rua? É sem graça. Conversar sem cenário? Vazio na alma. A mão de clicar no celular chega a arder.
Mas se tudo der ruim, ainda sobra a nova moda, “chore comigo no instagram”.

O mundo não está apenas horrivel, as pessoas estão ficando também, como bonecos vazios onde terceirizaram a capacidade de gerar diversão e de serem felizes por conta própria. Hoje, a sensação é que nada que não custe algo pode ser bom. Não se pode ir a praia sem uma musica de batucada tocar ao fundo. Não basta você ouvir, é preciso dizer ao mundo, ao cosmos, que você está ali e é feliz. Está sendo feliz. Mesmo que essa mensagem seja a marca da infelicidade alheia, mas o outro? Que outro? Vivemos numa era onde apenas o eu importa. (bem, o “eu” e os seguidores dele, que validam esse eu e mesmo que não validem, pacotes de seguidores falsos e likes de robôs estão à venda para uma validação comprada)
Ainda pior que a marca do consumismo adulto são as crianças.
Elas já nascem nessa lógica: não brincam na rua, elas vão ao espaço kids (pago); não inventam jogo, fazem atividade programada; não exploram, consomem experiência empacotada. Nos hotéis e resorts, o importante é botar uns adultos agindo como debilóides, berrando, correndo e dando atividades para os filhos dos bacanas o tempo INTEIRO, porque o Enzo precisa se divertir e claro, filho cansa.
Fora que sem os filhos sobra tempo para mais fotos com drinks coloridos na beira da piscina e dar beijinhos no ombro “prazamiga”.
Falando em filhos, em casa, elas estão no celular ou no videogame. Climatizados no ar condicionado, vendo streamings sozinhos no quartinho bem decorado no estlo Casa Cor e pago em 48X sem juros. Ou… Pesadelo: Conversando sabe-se lá com quem no Discord.
O ser humano eletro-urbano está perdendo a capacidade de criar diversão do nada.
E nem vou entrar nas festas que são verdadeioras coroações romanas, eventos babilônicos onde papai e mamãe ricos (ou pseudo ricos) dançam as musicas coreografadas pelo coreógrafo do momento, pago com peso de ouro, sob a tutela do DJj que escolheu as músicas do mais baixo calão. Assim, esses novos ricos ou wannabes vão ali, rebolando a bundinha cuidadosamente recoberta num vestido de grife e terno sob medida contrastando com tênis ultra-brancos ali do lado do self service de sushi. Depois eles botam isso como clipes na rede social. (desculpem, meus vizinhos, eu não resisti)
Sugestões simples como “vamos só caminhar?”, “cozinhar em casa?” ou “sentar e conversar?” parecem pouco esforço ou desleixo. Tenho amigos que se surpreendem quando digo que eu e minha familia vamos na praia no final de semana e não gastam os nem um real.
“Mas nem água?”
A gente leva de casa.
A máquina, o sistema, ou chame como quiser, nos condicionou. Aprendemos que investimento é igual afeto financeiro. Os relacionamentos viram sequências de consumo: primeiro encontro no restaurante, segundo no cinema, terceiro em bar diferente. A discussão importante se tornou a dinamica de quem paga a conta. A indústria nos convenceu que experiência vende mais que produto. Hoje um café vira “sensorial”, viagem “imersão”, jantar “experiência gastronômica”, lógico, cobrando 300% a mais pelo mesmo, só que embrulhado em conceito.
Solução não é virar um miserável, mas recuperar nem que seja um pouco da autonomia: estar com pessoas sem consumir, viajar sem roteiro vendido, viver nem que seja um fim de semana sem cartão.
O mundo está uma merda, mas eu não quero uma vida que dependa obrigatoriamente de dinheiro para acontecer.


4 Comentários
eu ponho a culpa de tudo isso às redes sociais.
redes sociais são pra IDIOTAS
Redes Sociais hoje viraram a vitrine das falsas preocupações também, pessoas que criticam tudo e todos para não perderem a “TREND” do momento, querem a qualquer custo mostrar para um bando de desocupados ou de pessoas que precisam ouvir de um aspirante a pseudo-influencer o óbvio que se pensassem por si só, já saberiam a mesma informação.
O mundo fica menos chato se cada um ser ele mesmo.
Redes Sociais hoje viraram a vitrine das falsas preocupações também, pessoas que criticam tudo e todos para não perderem a “TREND” do momento, querem a qualquer custo mostrar para um bando de desocupados ou de pessoas que precisam ouvir de um aspirante a pseudo-influencer o óbvio que se pensassem por si só, já saberiam a mesma informação.
O mundo fica menos chato se cada um ser ele mesmo.
incel.(se vc não sabe do que se trata, vc é feliz e eu te invejo)… infelizmente eu sei e fui fundo na pesquisa , surpreso e chocado ao ver q perseguição desse povo contra lola, escritora de um blog, o ser humano nunca para de me surpreender, na maioria das vezes de forma negativa