Meu sonho da fila

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De vez em quando (não é sempre) eu consigo guardar meus sonhos quase que como se fossem filmes. Eu registro todos os mínimos detalhes, e assim que acordo fico alguns minutos repassando o sonho, o que faz com que ele fique mais bem “gravado” no meu Hd cerebral. Hoje tive um desses sonhos, mas esse me deixou puto.

Eu sonhei que estava numa fila. Poucas coisas me irritam mais que ficar em fila, mas lá estava eu, numa enorme e interminável fila. Após umas quatro pessoas à minha frente, havia uma mulher com um bebê que não parou de chorar. EU não sabia para que servia a fila, mas ela era enorme, porém, me consolei quando vi que ela estava andando. Devagar, mas andava. Perguntei a um velho atrás de mim para que era aquela fila e ele me olhou indignado.
-Se você não sabe para que é a fila, por que entrou nela?

Me sentindo envergonhado, pedi desculpas e não olhei mais para trás. Acho que a última vez que fui trollado assim por um velho foi pelo Paragó, meu antigo professor de português.

Depois de um tempo, o bebê que tava enchendo o saco pra caralho com a choradeira sem fim dormiu e a fila ficou mais fácil de levar. Então, assim que se fez a paz, ela logo foi embora, pois rolou uma pequena confusão: Tinha gente furando a fila.

Logo havia gritos, porradas, bate-boca. Duas mulheres se estapearam e caíram na sarjeta, agarradas uma aos cabelos da outra. Quase um programa do Ratinho a parada.

Chegou a patrulhinha e levou as duas. A criança voltou a berrar. O velho agora queria falar de política, mas eu não estava afim, caguei e andei. Deixei o velho falando sozinho. Aquele velho grosso do caralho…

A fila já estava dando a volta na praça e eu olhei para trás e vi que ela sumia de vista. Me senti aliviado de saber que estava tão à frente dos putos la do fim, que sumiam de vista quando a fila dobrava uma esquina.

Veio um homem vendendo água. Eu comprei. O velho também comprou, mas logo devolveu dizendo que aquilo não era água. Era “mijo de rato”. Percebi que o velho não batia bem do pino, afinal, ratos não mijam 300 ml.

Então bebi a água e para meu desespero, era mesmo mijo de rato!

Porra que nojo. Quase vomitei o intestino ali mesmo. O vendedor estava longe, correndo como um foguete com meu dinheiro. Daí ouvi o velho rindo que eu tinha bebido o mijo do rato. Maldito. Secretamente, eu desejei que o velho morresse ali mesmo.

Estava chegando o fim da minha espera. A fila começava numa parede que continha uma porta branca e um guichezinho tipo os de boate furado na parede ao lado.
A mulher da minha frente encostou perto do guichê e após trocar algumas palavras, foi até a porta, abriu e entrou.
Chegou finalmente a minha vez. Eu não podia acreditar. Finalmente! Aleluia!

Tinham sido horas e horas na maldita fila.

Corri até o guichê. Ali atrás da parede tinha uma velha de uns 80 anos, toda maquiada. Ela disse:
-Vai ficar ou vai sair?

Eu não entendi nada. A velha não parecia muito disposta, de modo que não perguntei, pois pra levar fora de velho um só ja estava bom no dia. Tive que chutar.

-Vou sair. – Eu disse, decidido.

-É na porta ao lado. Próximo! – Disse a velha.

Eu fui andando até a tal porta toda branca enfiada na parede de pedra. Talvez fosse um museu. Parecia mesmo a entrada dos fundos de um museu.

Abri a porta e estava escuro. Entrei e fechei a porta. Então assim que a porta fechou e a escuridão foi completa, abri os olhos e estava deitado na cama.

A fila era para sair do sonho.