Então, brother, a coisa ficou séria por aqui. Depois de tantas artes estáticas e tentativas de dar vida às minhas ideias só com imagem, resolvi botar a boca no trombone — ou melhor, fazer a boca do personagem se mexer. É isso mesmo: criei um booktrailer com inteligência artificial, e o livro, como não poderia ser diferente, é o nosso O Crânio. A aventura foi e tanto, e o resultado tá aí pra quem quiser conferir.
Confesso que foi um parto. A ideia de ver uma criação minha “falando” sempre me pareceu coisa de filme de ficção científica, sabe? Algo distante, reservado para estúdios com orçamentos milionários. Ainda é meio tosco, mas em breve a Ia vai chegar numa qualidade indistinguível da realidade. Chuto que em uns 4 meses. Quem viver, verá!
Não tá perfeito, mas é o que eu consigo com meus zero reais de recurso.
Mas aí você descobre essas ferramentas de IA por aí e pensa: “por que não tentar?”. O problema é que, quando a grana é curta, a gente acaba navegando em mares mais… digamos… econômicos. E o lipsync, aquela sincronia perfeita entre o áudio e o movimento dos lábios, foi justamente o calcanhar de Aquiles. Ficou com um ar meio robótico, meio personagem de videogame antigo. Mas, olha, pra um primeiro experimento feito nas coxas, até que não ficou tão feio. Dá pro gasto, como a gente diz por aqui.
Por que um booktrailer, afinal?
Pode parecer modinha, mas a verdade é que o conceito de “trailer” para livros já tem seu tempo. A ideia é pegar a essência visual e emocional da história e condensar em poucos segundos, criando um gancho. É uma forma de conversar com o leitor de um jeito diferente, de chamar atenção num mundo onde todo mundo tá disputando um pedacinho do nosso tempo. E no caso d’O Crânio, que é uma história cheia de atmosfera, sombria e com um pé no folclore, faz todo o sentido tentar passar essa vibe por um vídeo.
Falando em folclore, a figura do crânio como símbolo é das mais antigas que existem. Da caveira mexicana do Dia dos Mortos aos memento mori da arte medieval, ele sempre esteve por aí nos lembrando da finitude. Na literatura, ele é um símbolo poderoso, carregado de significados sobre morte, conhecimento oculto e, muitas vezes, sabedoria. Não à toa, a cena mais famosa de Hamlet, de Shakespeare, é justamente o príncipe refletindo sobre a vida com um crânio na mão. Meu personagem bebe um pouco dessa fonte, mas com um tempero bem contemporâneo e brasileiro.
O processo por trás da mágica (ou quase)
O caminho foi mais ou menos assim: peguei a arte final do personagem, trabalhei ela no Midjurney, joguei em varias plataformas de IA que geram vídeo a partir de imagem e áudio, e cruzei os dedos. O áudio em fiz no eleven labs, que eu mesmo gravei aqui no meu cantinho. A IA então tenta interpretar o som e movimentar os pontos certos do rosto para simular a fala. O resultado, como já adiantei, não é perfeito. A boca as vezes mexe de um jeito estranho, a expressão facial é um pouco limitada. Mas, cá entre nós, ver aquela arte estática ganhando vida, mesmo que de forma truncada, foi uma sensação incrivelmente gratificante.
Isso me fez pensar em como a tecnologia democratizou a criação. Antes, um autor independente como eu só poderia sonhar com algo assim. Hoje, com um computador e uma conexão de internet, a gente pode experimentar, errar, aprender e criar coisas que antes pareciam impossíveis. Claro, o produto final não vai ter o polimento de um estúdio da Pixar, mas ele carrega a nossa identidade, a nossa tentativa e o nosso suor. E isso, pra mim, tem um valor enorme.
E aí, ficou curioso pra ver como ficou essa empreitada maluca? O vídeo tá logo ali em cima. E se a história do O Crânio te pegou, o livro tá disponível pra compra nesse link: https://loja.uiclap.com/titulo/ua37269/.
No fim das contas, foi mais um aprendizado. Mais um risco criativo que a gente assume por amor ao ofício. A jornada do criador independente é cheia desses experimentos caseiros, e é isso que a torna única. Valeu pela companhia e até a próxima aventura!
