Eu sempre achei que a ideia de escalar o Monte Everest era uma loucura completa. Tipo, você paga uma fortuna, passa meses se preparando, arrisca congelar membros e, pior, a própria vida, tudo por alguns minutos no topo do mundo. Mas ver essa jornão épica comprimida em poucos minutos, feita por um drone? Isso coloca as coisas numa perspectiva totalmente nova – e arrepiante.
Recentemente, um vídeo feito pelo drone de um alpinista chamado Liulang Cooki viralizou. A câmera simplesmente decola do acampamento base e vai, sem parar, sem cansar, sem precisar de oxigênio suplementar, até o cume. O trajeto que leva semanas para humanos é percorrido em um voo direto e hipnotizante. E o mais impressionante não é só a paisagem brutal, mas a quantidade de gente que o drone encontra pelo caminho. Uma verdadeira fila indiana a quase 9 mil metros de altitude. Saca só que cena surreal: uma via única, um desfiladeiro de gelo, e uma sequência de pequenas figuras coloridas avançando lentamente, uma atrás da outra. Dá uma sensação estranha, meio de peregrinação moderna, meio de fila de banco no fim do mundo.
E é justamente nesse gargalo que a coisa fica séria. O vídeo mostra, sem querer, um dos maiores perigos da montanha: o congestionamento. Nos poucos dias de janela de bom tempo por ano, centenas de alpinistas tentam o cume. Isso cria engarrafamentos mortais em passagens estreitas e tecnicamente difíceis, como o famoso “Balcão Hillary”, logo abaixo do topo. As pessoas ficam paradas por horas. Horas! Num lugar onde o ar tem um terço do oxigênio do nível do mar e a temperatura pode despencar para -60°C. O corpo consome as reservas de energia e oxigênio num piscar de olhos. Não é à toa que o Everest tem um dos cemitérios mais altos e tristemente famosos do planeta. Muitos daqueles que não resistem ficam lá, congelados no tempo e no lugar onde caíram, servindo quase como marcos sombrios para os que sobem depois. A história por trás disso é tão fascinante quanto macabra.
Uma perspectiva que nem os alpinistas têm
O que o drone faz é nos dar uma visão de Deus sobre a montanha. A gente vê a imensidão, a solidão dos glaciares, a ferocidade das paredes de gelo. E, de repente, aquela fileira de pontos coloridos parece incrivelmente frágil. É uma lição de humildade em alta definição. Enquanto o drone sobe sem esforço, a gente lembra que cada um daqueles pontos é uma pessoa lutando contra o próprio limite físico e mental, passo a passo, respiração ofegante após respiração ofegante.
Falando em números, a coisa fica ainda mais maluca. O cume do Everest está a 8.848,86 metros acima do nível do mar (a altura oficial, medida mais recentemente). A pressão atmosférica lá em cima é tão baixa que, sem oxigênio suplementar, o corpo humano começa a definhar rapidamente. A região é conhecida como “zona da morte” acima dos 8.000 metros, onde nenhuma aclimatação é suficiente para você viver por muito tempo. Seu corpo está, literalmente, morrendo minuto a minuto. E ainda tem gente que faz fila pra isso. Dá pra entender?
O drone e a nova era da exploração
Essas imagens também abrem um debate. Por um lado, são uma ferramenta incrível de documentação e até de segurança, podendo mapear rotas ou checar condições. Por outro, tem gente que acha que tira a aura de conquista pura, introduzindo um elemento tecnológico onde antes era só homem vs. natureza. Eu, particularmente, acho fascinante. Não diminui em nada o feito dos alpinistas – afinal, quem tá lá se ralando é eles – mas nos permite, meros mortais no sofá, ter um vislumbre real do desafio.
Ver aquele vídeo me fez ter certeza de duas coisas: a primeira é que minha aventura radical vai continuar sendo subir a escadaria do meu prédio quando o elevador quebra. A segunda é que a atração pelo Everest, seja pela conquista, pela fama ou pelo teste extremo, é um fenômeno humano poderosíssimo. O drone não mostra uma simples montanha. Ele mostra um palco de sonhos, tragédias, superação e, às vezes, pura imprudência.
Então, depois de ver o caminho todo de cima, com todos os perigos expostos… você encararia uma subidinha dessa? Eu, hein? Tô fora. Mas admiro profundamente quem tem a coragem – e o preparo – de tentar.
Muito louco isso né?

É incriver ver a subida da montanha, deve ser dificil pra caramba subir com aquele monte de fenda no meio do caminho.
Cansei só de ver o video, não tenho coragem (e nem dinheiro kkk) pra fazer essa subida mas nunca kkkk
o que sobra de dinheiro e coragem é o que falta de instinto de autopreservação para escalar isso aí.
Jamais subiria ai só com cordinha, se tivesse um meio de voltar a qualquer momento eu poderia pensar.
E botar Sherpa pra carregar suas coisas é trapaça. kkk