Já parou pra pensar que alguns dos monumentos mais impressionantes do mundo não estão em praças famosas, mas escondidos entre lápides e ciprestes? A arte funerária, aquela que decora nossos cemitérios, é um capítulo à parte na história da escultura. Longe de ser apenas triste, muitas vezes ela é profundamente macabra, dramática e até perturbadora. É uma forma de arte que fala diretamente com nossos medos mais primitivos, com a nossa relação com a morte e, de quebra, pode dar uns calafrios daqueles se você topar com uma dessas estátuas no crepúsculo.
Essa tradição de criar figuras alegóricas em túmulos tem raízes antigas, mas foi durante o movimento artístico conhecido como Romantismo que a coisa ficou realmente sombria e teatral. O Romantismo, que floresceu no final do século 18 e durante o 19, era tudo sobre emoção intensa, individualismo e… o sublime terrível. A morte não era mais apenas um fato religioso, mas um evento carregado de drama pessoal. E os cemitérios, principalmente os grandes cemitérios monumentais que surgiram na Europa, viraram uma espécie de museu a céu aberto para expressar tudo isso.
Uma das figuras mais comuns que você vai encontrar é o Anjo da Morte ou o Anjo Chorão. Só que ao invés da serenidade celestial, muitos parecem estar em verdadeira agonia. Tem anjo com as asas quebradas, outros com o rosto escondido nas mãos num desespero mudo, e alguns até com uma expressão de acusação, como se estivessem questionando o céu pelo falecido. Dá uma sensação de luto tão pesada que até quem só está passando fica com um nó na garganta.
E aí a gente chega nas estátuas que são puro pesadelo. Já viu aquelas que representam a própria morte? Esqueça a figura esquelética e discreta da tradição medieval. Nos cemitérios do século 19, a Morte ganha corpo, músculos e uma presença aterradora. Aparece como um esqueleto alado e gigante, como uma figura encapuzada segurando uma foice e um relógio de areia (lembrando que o tempo de todo mundo tá acabando, obrigado pela lembrança), ou até emergindo de dentro do próprio túmulo para buscar alguém. É aquele tipo de coisa que você não quer nem imaginar encontrando num caminho escuro de parque à noite. Sério, daria um troço.
Não é só no velho mundo
Embora a Europa, especialmente países como a República Tcheca, a Itália e a França, seja um verdadeiro baú de tesouros macabros, essa vibe não ficou por lá não. O costume atravessou o oceano e se espalhou. No México, a relação com a morte é tão única e colorida que se reflete até nos monumentos, misturando o sagrado e o profano de um jeito que só eles sabem fazer. Aqui no Brasil, nossos cemitérios mais antigos, como o da Consolação em São Paulo, também têm suas joias sombrias, com anjos de expressões profundamente melancólicas e estátuas que parecem congeladas no momento exato do último suspiro.
O que me fascina nisso tudo é a coragem (ou o desespero) de quem encomendava essas obras. Enquanto hoje a gente tende a optar por coisas mais discretas, naquela época a família queria deixar registrado para sempre a dimensão da sua perda. Era como gritar para o mundo: “olha o vão que essa pessoa deixou”. A arte macabra nos cemitérios é, no fundo, um retrato do luto em sua forma mais crua e visual. É estranhamente belo e desconfortável ao mesmo tempo.
Então, da próxima vez que você passar por um cemitério antigo, em vez de apenas acelerar o passo, dê uma olhada com mais calma. Observe os detalhes nos rostos de pedra, a pose das figuras, a história de dor e talvez de esperança que elas contam. É um museu de emoções humanas, esculpido em mármore e granito. Só não recomendo fazer esse tour noturno, viu? Porque aí a experiência pode ficar *real* demais, e ninguém precisa de um susto desses. É cada figura que parece que vai piscar ou virar a cabeça quando a gente da as costas… mas de dia, com o sol batendo, é pura história e arte. Muito louco isso né?













Tds as estátuas são muito bonitas, em si, apesar de seu tema fúnebre e triste.
A mais bizarra p mim, foi 1 das 1as, q mostra um Esqueleto saindo de dentro do túmulo quebrado. Bizarro, pq qm o fez certamente “Tentou ser Engraçado”, né…. :(
Ah sim, as de crianças tb são Todas Bizarras !!!
A do bb sentado no bercinho, feito de pedra só me fez pensar em Qm Invistiria 1 grana p “homenagear” daquele jeito 1 bb ! Rsrsrsrsrsrsrs
Rapaz… a do anjo ganhando um boquete foi a mais divertida com certeza
Anjo ganhando boquete, mano? Que droga é essa.
ps: A arte fúnebre, na minha opinião baseada em nada, já que sou leigo no assunto, é uma das mais bonitas. Aquela mistura de tristeza, solidão e “medo” é realmente muito bonita, quando colocada na forma que são apresentadas.
Tem estátuas lindas, ainda que o tema seja fúnebre.
Bah que da hora essas estatuas, esta cada vez mais raro encontrar estas obras. Aqui no Canada por exemplo, sao basicamente so lapides sem graca, eu acho que isso e uma cultura mais europeia, posso estar falando besteira mas e a impressao que eu tenho…
Valeu, grande post Philipe!!
Sou apaixonado por arte tumular. Imagens belíssimas, mas que tem umas esculturas que dão um cangaço, tem.
Postagem sensacional!
Da vontade de saber mais sobre os defuntos de cada sepultura! Excelente post
A mais esperançosa e menos triste é aquela que tem uma triângulo dourado com um olho no centro e raios dourados.
Cara, parabéns pelo blog, estou lendo todas as matérias e são sensacionais.
tem coisa pra danar aí pra dentro. Mais de 5000 posts
Pra mim as duas mais macabras são a do esqueleto saindo do túmulo e os dois esqueletos de mãos dadas. Eu é que não queria ser o coveiro desses cemitérios.
Fiquei mega curiosa sobre onde essas esculturas estão… seria interessante colocar essa informação junto com a foto, assim, quem quiser saber mais sobre ela, poderá pesquisar mais facilmente.
Acho que todas representam muito bem o sentimento de luto, o vazio…
Achei mais interessante a da criança em cima de uma almofada supostamente ao lado da Mãe.
Com o devido respeito, o autor comete duas gafes nessa postagem.
Primeiro que as esculturas que ele se refere como assustadora e causadoras de calafrios não tem nada a ver, pois tratam-se de obras artísticas na arte tumular.
Já por aí mostra que é preconceituoso e ignorante sobre o tema.
Depois nem sequer menciona a localização dos referidos monumentos que expôs.