Olá pessoal, aqui estamos nós dando continuidade ao lobisomem sinistro. Se você não viu a primeira parte, clique aqui e veja na ordem que é bem mais legal.
Mas se você já acompanhou aqui o processo de construção do modelo na parte I, espero que goste da parte II, já que me deu um trabalho do cacete, hehehe.
Antes de começar quero lembrar os leitores que posts com muitas imagens como este, me obrigam a usar o recurso do “leia mais”, para não ferrar de vez com o download da pagina pra quem tem conexão mais lenta (que é um problema que vem se reduzindo rapidamente no Brasil). Outra coisa, o alto volume de imagens me impede de hospedá-las manualmente, o que me obriga a enviá-las em lote para o photobucket. Isso implica no fato de que alguns leitores em sistemas corporativos podem não conseguir ver todas as imagens porque o firewall bloqueia as mesmas (por algum motivo besta, já que imagem não pode estragar sua maquina) a menos que usem um recurso de tunnel. Se for este seu caso, clique aqui e preencha o campo de busca com www.mundogump.com.br e então as imagens deverão abrir.
Bom, na parte um eu fiz o crânio, os dentes, a estrutura metálica que suporta a massa e cobri com durepoxi. Nesta etapa agora eu começo a construir de fato o lobisomem.
Esculpir é meio que uma caixinha de surpresas. Eu nunca sei se vai dar certo ou não e a sombra do fracasso sempre ronda meu processo de trabalho. Isso é natural, até porque com pouco tempo, e por afobação, eu acabo correndo e “colocando o carro na frente dos bois”.
Músculos
Digo isso porque logo que comecei a fazer a peça, pensei em reproduzir o mais fielmente possível o modelo do conceito, mas a medida em que coloquei massa e mais massa para fazer aquele físico do Hulk, comecei a achar a peça meio falsa. O que estava funcionando bem no concept mostrou a não dar muito certo na minha criação 3d. O tórax do monstro tava gigante. Ele tava batatudo demais para pernas finas. Quase que como o Faustão.
Resolvi dar um passo atrás e retirei um montão de massa daquele tórax. Fiz isso porque entre seguir fielmente o concept e a peça ficar feia e deixar rolar e ela ficar melhor, eu optei pela segunda opção. O meu objetivo passou a ser “um lobisomem sinistro” e não “aquele” lobisomem sinistro em específico, que parecia o incrível hulk com cinturinha de pilão.
O primeiro passo foi usar super sculpey para ir blocando a estrutura muscular básica.
Clique ali no leia mais para continuar a carregar as quase 50 imagens desse passo-a-passo.
Note que nesta fase eu não me preocupo com nada de detalhamento. Estou apenas cobrindo o esqueleto recoberto de durepoxi já duro com Super Sculpey. Eu corto pedaços da massa nos tamanhos dos principais grupos musculares. Não exatamente CADA músculo, mas sim os volumes principais. A minha decisão de não fazer o hulk-lobisomem implicou e não fazer músculos tão desproporcionais que colocassem o realismo dos olhos e dentes a perder. Assim, eu tentei ser comedido no tamanho dos músculos, deixando ele forte suficiente para parecer um humano com alterações musculares, mas nada como um fractal cheio de bolotas musculares para todos os lados. Após blocar os volumes corporais eu começo a girar um boleador entre cada grupo, fazendo uma conexão de ligação entre eles.
Note que na vista atrás eu dei um belo vacilo na questão do tamanho da bunda. Dá pra ver que os glúteos do bicho ficaram bem acima do volume básico de durepoxi. A solução para isso é meter a mini-retífica e “comer” todo o durepoxi que não está onde deveria estar. Só que como o boneco ia usar uma calça por cima eu achei que daria para corrigir isso com o volume da calça e deixei quieto.
Calça
Depois de estruturar mais ou menos eu comecei a modelar a calça sobre as pernas.
Não deu outra, realmente quando modelei a calça por cima, deu para dar uma bela “acochambrada” naquele erro da bunda.
Para fazer a calça não há muito mistério além de olhar uma calça de verdade e tentar copiar ela mais ou menos. Fiz um bolso tipo cargo-militar na lateral e coloquei uns pequenos pacotes de balas no cinto, como os usados pelos soldados alemães na II Guerra. Com uma minhoca de massa imprensada com um rolo eu fiz o cinto e apliquei na peça. Com os boleadores eu coloquei o drapeado não fazendo muitos, já que o tecido da calça é grosso. Tentei imitar aquele rasgo na perna do lobisomem do desenho, porque isso dá uma boa sensação de realismo, mostrando uma parte da pele do bicho saindo pelo rasgo na calça.
Braços
Em seguida eu fiz os braços. (deixei os braços para depois da calça, notou?) O certo é fazer a peça de dentro para fora, começando do esqueleto e terminando na roupa. Sob esta ótica eu deveria ter feito os braços junto com o “blocamento” do corpo. Mas eu não fiz assim de propósito, porque os braços estão numa posição que dificultariam bastante o acesso a certas partes da calça. Assim, deixei eles para depois, e foquei no detalhamento da calça, cinto e detalhes como as costuras, bolsos, etc. Esta é uma parte facílima e altamente divertida de fazer na peça.
Mãos
Depois que a calça estava praticamente pronta eu fiz os braços e as mãos. Fazer mão de boneco sempre foi algo bem complicado pra mim até recentemente. Isso porque eu sempre estruturava as mãos com arame antes de modelar e ficava preso na pose de arame. Qualquer mexida implicava no arame cortando os dedos, já que ali a camada de massa é bem fina. Quando eu descobri o macete do secador de cabelos para pré-endurecer certas partes, tudo ficou mais fácil.
Agora eu faço as mãos modelando direto sem estruturá-las. Depois que estão na posição que eu quero, eu uso o secador para dar um “adianto” na posição delas e quando vai pro forno, a mão não vira um “cacho de bananas” sem forma. Depois desse macete, as mãos que eram meu maior suplício numa escultura viraram partes muito legais e divertidas de fazer. Assim, eu comecei a fazer as mãos do monstro. Eu esculpi a palma da mão mais prolongada, de modo que ficasse numa aparência intermediária entre uma mão humana (que é mais quadrada) e uma pata de canídeo, que é digitígrado. Isso significa que o cão ou lobo anda sobre os dedos. Um cão costuma ter só quatro dedos na frete e uma bolinha atrás. Aquilo ali é o polegar, que ao longo da evolução começou a mudar de posição indo parar atrás da pata. Assim, eu imaginei que uma mão de lobisomem tivesse um corpo bem alongado, com os quatro dedos principais com um tamanho relativamente igual e o polegar bem retraído, como dos gorilas.
Deixei buracos estratégicos na ponta de cada dedo para encaixar as unhas posteriormente. Depois coloquei um pino de arame de alumínio atravessando a mão e saindo na altura do punho. Este pino funciona como ponto de conexão da mão no pulso. Em seguida recobri os pulsos de massa, ligando-os as mãos.
A cabeça
Feita a parte do corpo, mãos e calças, eu comecei a parte mais gostosa da peça que é cobrir o esqueletinho do crânio com massa. Eu deixei isso para fazer praticamente no fim porque o material usado nos olhos demoooooooora muito para secar e eu tinha medo de dar algum vacilo ali na modelagem da cabeça e acertar o olho com o instrumental. Assim, só mexi neles quando achei que o grau de “perigo” era menor.
O primeiro passo é ir cobrindo aos poucos com quantidades bem pequenas de massa a área do crânio. Se você olhar um cachorro e colocar sua mão na cabeça dele, vai notar que a cabeça é quase que pele e osso apenas. Os osso dos cães estão bem perto da pele. Existem músculos ali, claro. Mas são finos e delgados. Para não arriscar os olhos eu fiz bolinhas de massa do tamanho deles e usei elas para esta etapa de blocar a cabeça.
Depois adicionei a língua, as orelhas, os músculos da mandíbula, que são geralmente fortíssimos em cães. Nesta fase eu busquei referência em cães de mordedura forte, como os pit bulls. Gostei tanto da aparência desses grupos musculares do pit bull que deixei transparecer um certo ar de pit bull na cabeça do lobisomem. Para isso ao invés de seguir bem fino no nariz como é com os lobos, eu engrossei um pouco ali propositalmente para deixar a cara mais quadrada, como nos cães dessa raça.
Depois retirei com o instrumental as bolinhas de massa do lugar dos olhos e esvaziei as órbitas. Peguei com cuidado os olhinhos de “vidro” que na verdade são de resina cristal de poliuretano com alto brilho e coloquei elas nas órbitas. Com finíssimas minhoquinhas de massa eu criei as pálpebras.
O processo de colar a cabeça no corpo é similar ao de ligar as mãos aos braços. Eu uso um pino de arame de alumínio saindo do corpo e um saindo da cabeça. O da cabeça encaixa no corpo e o do corpo encaixa na cabeça. Depois eu coloco músculos que conectam o crânio no corpo. Nesta etapa, os músculos dos canídeos se parecem com certas pequenas diferenças com os músculos humanos. Mas como o lobisomem é um bicho híbrido, eu forcei um pouco ali colocando um pescoço bem mais grosso e forte, com veias saltadas e uma forte conexão muscular no trapézio e no esterno, que é o músculo de nome mais bonito que tem: Esternocleidomastoideo.
Depois, usando um instrumental eu comecei a fazer cortes na pele do monstro. Os cortes obedecem uma lógica de rugas nas áreas de dobra, espalhando-se de modo menos profundo nas áreas onde não há dobras. Em seguida, com um pincel embebido em álcool Isopropílico eu pincelei essas áreas. O álcool isopropílico (do mesmo modo que o fluido de isqueiro) dá uma “organicidade” nos cortes que até então ficam pouco orgânicos. Isso significa que vendo bem de perto é como se o álcool derretesse as bordas do corte, fazendo que eles fiquem como rugas mais naturais.
Depois com uma escova de latão eu pressionei em algumas áreas, fazendo de uma só vez milhares de micro-buraquinhos. Esses buraquinhos viram uma espécie de poros quando molhados com o álcool. Isso ajudará a caracterizar certas áreas que terão pouca pelagem.
Carimbo
Depois com um pouco de massa eu capturei um padrão de um tecido de brim que eu tinha aqui em casa. O brim tinha uma escala que se sairia bem enganado como sendo “jeans” ou algum tipo de tecido grosso militar nas calças. Usei o secador para endurecer os carimbinhos de massa. Com eles, eu apenas pressionei sobre a área das calças, produzindo um padrão de linhas que (espero) engane bem quando ela for pintada. Isso ajuda a quebrar o aspecto excessivamente uniforme nelas também.
As Unhas
Em seguida eu fiz as unhas do mesmo jeito que usei para fazer os dentes. Usei a resina autopolimerizável incolor e com elas eu modelei as unhas. As unhas dão uma vida à peça. Não fiz unhas gigantes para as mãos, mantendo-as enormes apenas nos pés. Eu queria deixar as mãos um pouco mais delicadas, como se ele estivesse em processo de transformação.
Bom, é isso. Espero que tenham gostado. Por enquanto é só. Vou colocar para assar o bicho e em seguida começo a pintura. No próximo post da série, a pintura e o acabamento (os pêlos).
Até lá.














































eu tenho um filho ele disse que se vc poder ele gueria que vc fizesse um boneco-lobisomem siinistro para ele
ele tem 10 anos
presepada de bruno eu hein
quero aprender isso é irado
Cara parabéns, você me motivou a tentar também. Sou louco por bustos e estatuas. Onde você encontra as massas Durepoxy e Polyclay?
Cara durepoxi você compra el qq loja de material de construção. Use um pouco de óleo mineral (duas gotas) ou oleo johnson, que dobra o tempo de trabalho nele. Polyclay eu compro nos EUA, mas dá pra comprar aqui agora a dimclay esta vendendo, tem marcas nacionais surgindo, como a Bozzi. Dá uma olhada na da dimclay http://www.dimclay.com
Obrigadoooo cara, vou procurar! Todos os dias abro um novo artigo seu sobre as esculturas pra ler. Mal posso esperar pra ver o próximo projeto.
Você é sensacional!!!!