Você já parou pra pensar no que é, de fato, um dublê? A gente costuma associar a figura a explosões, saltos de prédios e perseguições de carro em alta velocidade. É adrenalina pura, o cara que faz o que a gente só tem coragem de sonhar. Mas e se eu te disser que o melhor dublê que existe não pula de helicóptero? Ele nem sequer se mexe. Na verdade, ele dorme. E o palco dele é uma mesa comum.
É exatamente isso que o vídeo abaixo, que é a razão de ser deste post, vai te mostrar. Prepare-se para uma aula de interpretação que desafia tudo o que a gente imagina sobre ação.
A Arte Invisível do Dublê de Mesa
O vídeo, que viralizou há alguns anos, mostra o ator e dublê profissional Timothy “TJ” Storm realizando uma cena de ação… totalmente deitado. Ele está sobre uma mesa, fingindo estar inconsciente ou morto, enquanto é “atingido” por tiros, explosões e todo tipo de efeito especial sonoro que você pode imaginar. O negócio é que o corpo dele reage a cada impacto com uma precisão absurda. Um tremor no braço aqui, uma contração na perna ali, a cabeça jogada para o lado com o peso exato de uma bala. É uma coreografia de micro-movimentos.
Isso me fez cair na real. A gente valoriza o dublê que salta e se esborracha no chão, o que é incrível, sem dúvida. Mas a maestria de fazer nada – e fazer esse “nada” parecer a coisa mais real e violenta do mundo – é um nível diferente de habilidade. É a arte da reação, não da ação. E é muito mais difícil do que parece. Tenta aí deitar no sofá e fingir que levou um tiro no ombro sem mover o resto do corpo. Vai sair parecendo um peixe fora d’água, pode apostar.
Por Que Isso é Tão Difícil (e Tão Genial)?
O trabalho de um dublê, no fim das contas, é contar uma história física. Quando um ator principal não pode ou não deve realizar uma tomada perigosa, entra o especialista para vender a ilusão. E qual é a ilusão mais comum em filmes de ação? Que o personagem está sendo atingido por forças externas brutais.
O que TJ Storm demonstra é o controle corporal total. Cada músculo está isolado e atuando sob comando. É quase uma arte marcial interna. Enquanto a gente, no dia a dia, se move em blocos (o corpo todo vira pra pegar algo, por exemplo), ele consegue dissociar tudo. Saca só que maneiro: ele precisa conhecer profundamente a física do impacto. Como um corpo realmente reage a um projétil? E a uma explosão a alguns metros de distância? A resposta não é simplesmente pular pra trás. Depende do calibre, da distância, do ponto de impacto, da massa muscular.
É um estudo anatômico e físico disfarçado de soneca. Na minha opinião, isso eleva o status do dublê de “cara corajoso” para “artista performático de altíssima técnica”. É como a diferença entre um guitarrista que faz muito ruído e um que toca um solo de blues cheio de *feeling* e sutileza. Os dois são bons, mas um te mexe por dentro.
Uma Tradição Que Vem de Longe
Essa atenção aos detalhes do sofrimento físico na tela não é nova. Se a gente for fuçar na história do cinema, dá pra traçar uma linha até os primórdios dos efeitos especiais. Antes do CGI dominar tudo, a credibilidade de uma cena de guerra ou de um western dependia quase que exclusivamente da coreografia dos dublês e atores. A forma como um cowboy caía do cavalo era ensaiada à exaustão.
Um nome lendário nesse meio é o de Buster Keaton, que não era chamado exatamente de dublê, mas realizava todas as suas próprias e perigosas acrobacias cômicas. A genialidade dele estava justamente na reação impassível, no “deadpan”, ao caos físico ao seu redor. Ele era mestre em levar uma casa nas costas e fazer parecer algo do dia a dia. Tem uma ligação direta aí com o cara que leva um tiro na mesa e só mexe o queixo. É sobre o contraste entre a violência do evento e a (aparente) passividade do corpo.
É isso ai. O vídeo do TJ Storm é mais do que um curioso viral da internet. É um lembrete de que a magia do cinema muitas vezes reside nos menores detalhes, naquilo que a gente nem percebe conscientemente. A próxima vez que você assistir a um blockbuster e vir um personagem sendo jogado pra lá e pra cá por uma explosão, lembre-se: por trás daquilo, muito provavelmente, tem um artista como TJ, que treinou para dominar a arte de ficar parado da maneira mais convincente possível.

This is not a fake!!
Ahaha!!
Gosto muito de CG misturado com filmagem real.
O Philipe, me responde uma coisa: A câmera tem um sensor que capta a trepidação do carro para fazer a sincronia depois ou é feito com um carro especial que não trepida e isso é incluso depois na edição?!
Sabe algo sobre isso!?
Zé, provavelmente isso foi filmado com trepidação. Depois, um software de estabilização foi usado e a trepidação foi compensada, permitindo colocar os carros em 3d sobrepostos na filmagem. Depois, a trepidação pode ser colocada de volta, importada da filmagem original, o que dá um aspecto de realismo a cena.
ótimo CG, bom mesmo!
Eu tb gostei. Acho que o 3d ficaria mais maneiro se os carros não virassem cambalhotas.
O fake até parece com esses maluco aki desse video http://www.youtube.com/watch?v=6W1bSKw0SkE&feature=related O_o
não gostei … tem algo na imagem como um todo que a faz parecer CGI demais… O comercial do carro que vira robo (e vira carro e robo de novo) saiu melhor IMHO … A única parte engraçada é o anuncio de motorista profissional, não tente fazer isso …