Um abrigo anti-bombas de luxo na Alemanha

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Caramba, você já parou pra pensar como seria o seu plano perfeito para o fim do mundo? Enquanto a maioria de nós se contentaria com uma lata de sardinha e um cantinho no porão, parece que os super-ricos da Alemanha têm um plano B um pouquinho mais… elaborado. Saca só que maneiro esse abrigo anti-bombas de luxo que foi construído por lá. Isso vai muito além de quatro paredes de concreto e uma porta grossa. É praticamente um condomínio fechado de cinco estrelas, só que lá nas profundezas da terra, perfeito para quando o apocalipse zumbi resolver dar as caras ou qualquer outra catástrofe que a criatividade humana inventar.

A ideia de se proteger debaixo da terra não é nada nova, claro. Durante a Guerra Fria, a paranóia com um ataque nuclear fez com que muitos governos, inclusive o da Alemanha Ocidental, construíssem milhares de abrigos civis. Mas esse aí é outra história. Ele foi projetado para abrigar até 34 famílias – e podemos apostar que não são famílias qualquer, né? – e promete manter o estilo de vida de alto padrão mesmo com o mundo se despedaçando lá em cima.

 

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Mais que sobrevivência: conforto no subsolo

 

 

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O negócio é tão completo que chega a ser cômico. A gente fala de um bunker e já imagina corredores claustrofóbicos e paredes nuas, mas esse aqui tem uma lista de amenities que deixaria muitos hotéis boutique com inveja. Vamos lá: tem piscina, viu? Não uma poça d’água, mas uma piscina de verdade para você relaxar depois de um dia tenso fugindo de hordas de zumbis (ou do que quer que seja). Tem cinema, ginásio completo, até um canil climatizado para o seu doguinho não passar perrengue. E olha que não para por aí: biblioteca, sala de jogos, enfermaria totalmente equipada e áreas de convivência que mais parecem a sala de estar de uma mansão.

É o tipo de lugar onde você pode ficar isolado por meses, talvez anos, sem nem sentir muita falta do mundo exterior. Eles pensaram em tudo: sistemas próprios de água e ar filtrado, geradores de energia, estufas internas para cultivo de alimentos. A privacidade também é levada a sério, com quartos-suite individuais para cada família. Dá até pra imaginar a cena: enquanto o caos reina na superfície, os moradores estão lá embaixo, na sauna, discutindo qual filme vão passar no cinema naquela noite. Surreal, não é?

 

 

 

De onde vem essa tendência?

 

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Isso me fez dar uma pesquisada. Esse fascínio por bunkers de luxo não é exclusividade alemã. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe um mercado crescente de “sobrevivencialismo de luxo”, impulsionado por bilionários da tecnologia. Empresas como a Vivos, fundada por Robert Vicino, vendem espaços em mega-bunkers convertidos de instalações militares, prometendo salvar a elite em caso de desastre. A filosofia por trás disso vai desde o medo de uma guerra nuclear até o pânico de uma pandemia global ou o colapso climático.

Na Alemanha, o contexto histórico é ainda mais carregado. O país tem uma memória profunda de guerras e divisões. Durante a Guerra Fria, a Alemanha Ocidental tinha uma política de “defesa abrangente” que incluía a construção de abrigos públicos. Com o fim da União Soviética, muitos desses espaços foram desativados ou vendidos. Alguns, como este que estamos falando, foram parar nas mãos de investidores privados que viram uma oportunidade de negócio um tanto quanto peculiar: transformar o símbolo máximo do medo coletivo em um produto de luxo para pouquíssimos.

É um contraste que dá o que pensar. De um lado, você tem a memória de abrigos públicos, construídos com a ideia (ainda que falha) de proteger a população. Do outro, abrigos privados e ultra-exclusivos, que cristalizam a desigualdade até no cenário do fim dos tempos. Se liga só nessa ironia: num desastre que teoricamente atingiria a todos, alguns teriam um spa subterrâneo e outros, bem, a sorte.

 

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Reflexão de um mundo com medo

 

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No fim das contas, esses bunkers dizem mais sobre o nosso presente do que sobre qualquer futuro apocalíptico. Eles são sintomas de uma época marcada por ansiedades globais – mudanças climáticas, pandemias, instabilidade política – e de uma desigualdade social que só aumenta. É como se a galera com muito, mas muito dinheiro, estivesse dizendo: “Se tudo realmente desandar, meu recomeço será com hidromassagem e pipoca no cinema”.

Eu, particularmente, acho um conceito bizarro e fascinante ao mesmo tempo. Por um lado, é um projeto de engenharia impressionante, que mostra uma preparação quase obsessiva. Por outro, é um retrato um tanto triste de como o medo pode ser comercializado e como o privilégio consegue criar bolhas de conforto até nas piores hipóteses. Quem diria, hein?0_1730ad_d65c58fd_orig 0_1730ae_cc1ebfff_orig 0_1730af_f8b25869_orig 0_1730b0_2181d302_orig0_1730b2_89ca0145_orig 0_1730b3_c3252b86_orig 0_1730b4_25041931_orig 0_1730b5_876e812b_orig 0_1730b6_c5c3e03e_orig 0_1730b7_64b7c977_orig 0_1730b8_16876bd_orig 0_1730b9_b352a1f8_orig 0_1730ba_9a16ea3a_orig 0_1730bb_f5bd77f2_orig

Mas é isso ai, valeu. Se um dia o mundo acabar e você me encontrar por aí, eu provavelmente estarei no meu esconderijo improvisado com um pacote de bolacha e uma lanterna. Já os moradores desse bunker alemão… bom, eles estarão escolhendo entre nado livre ou uma sessão de musculação. Cada um com seu cada qual, né?

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12 Comentários

  1. Marcelo Mainardi

    Aí já começa um exercício de imaginação.
    Acontece o tal apocalipse nuclear (ou qualquer desgraceira) e o povo se instala ali. Tudo tão limpinho, tão organizadinho, tão cheirosinho… aí passam alguns anos (nem tantos assim, talvez), com racionamento de comida, água (como manter tudo limpinho e cheirosinho?) e afins…
    Fiquei olhando as fotos imaginando como elas seriam passados alguns anos de perengue…

    1. Philipe3d

      Pior, imagina ficar confinado com um bando de riquinho que acha que pode tudo? Subretudo quando o mundo foi pras cucuias e o dinheiro não é mais o que importa?

    2. Diego Gomes Santos

      Cara sempre penso a mesma coisa quando vejo um desses! Acho que o povo ai não dura talvez 2 anos… Sério com certeza que se matam antes.

  2. jonscravit

    esse ai apareceu na tv
    pessoal zoa e acha besteira mas se tiver guerra nuclear ou cair meteoro de 20km diâmetro, esse lugar sera um dos mais importantes do mundo

  3. Ünder

    Quem vai regular a portaria? Kkk

    Chega ali com uma ak47 na mão e quero ver os bacana te tirarem…

  4. Henrique Gonçalves

    É rico sabe das coisas, não são ricos por que ficam gastando dinheiro a toa! Geralmente analisam muito bem os seus gastos, afinal das contas, imagino que sem importar o quão rico seja, ninguém vai investir uma grana preta num local que não vai “servir” para ostentar o seu status… A dúvida que fica é o que eles sabem que a massa não percebeu ainda!!! E ae Philipe qual o seu palpite?

    1. Philipe3d

      Acho que é só um dos milhares de produtos super exclusivos que são diariamente oferecidos aos ricaços. Há pessoas de classe média nos EUA que também tem seus abrigos. Isso é uma industria bem rentável lá, e se justifica plenamente, sobretudo no corredor dos furacões.

  5. Andre Turquetti

    Ainda gostaria de saber se um dia o local onde o bunker ficar alguns metro debaixo d’água, como fica?

    1. Philipe3d

      Molhado. bem molhado, hahaha.

  6. Ricardo Muanis

    Só não entendi essa abóbada em vidro (na foto da piscina) num bunker. No caso de um eventual cenário apocalíptico ou guerra, essa área seria de imensa fraqueza para o propósito de um bunker, mesmo que seja vidro blindado. Dá pra perceber árvores ao fundo, essa facilidade ao acesso externo também gera dúvidas.

    1. Philipe3d

      Note que a área da piscina está num compartimento separado. Se cai uma bomba, essa área vai pro saco mas a parte interna do bunker que é a verdadeiramente protegida fica de boa.

  7. One-Above-All

    Essa área da piscina tá muito “protegida”…

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