Foto Gump do dia: Uma mulher iraniana na praia em 1960

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Mulher iraniana de biquíni na praia em 1960

Dá uma olhada nessa foto. À primeira vista, parece uma cena de qualquer praia brasileira hoje em dia, não é? Uma mulher tomando sol, deitada na areia, usando um biquíni comum. O cenário poderia ser Copacabana, Ipanema, ou qualquer outro pedaço de costa por aí. Mas aí que a coisa fica interessante – e um tanto quanto triste.

Essa imagem não é do Brasil e nem é recente. Ela foi tirada no Irã, por volta de 1960. Sim, você leu certo. O Irã. Aquele mesmo país que hoje associamos a códigos de vestimenta ultra-restritivos para mulheres. Essa foto congelou um momento de uma realidade completamente diferente, uma realidade que a maioria de nós nem imagina que existiu.

O Irã que a gente não conhece (ou esqueceu)

Antes da Revolução Islâmica de 1979, o Irã era um lugar bem diferente. Sob a dinastia Pahlavi, especialmente durante o governo do Xá Reza Pahlavi, o país passou por um processo intenso de ocidentalização e modernização forçada, conhecido como a “Revolução Branca”.

As universidades estavam cheias, as mulheres tinham direito ao voto desde 1963 (antes de vários países europeus, diga-se de passagem) e a vida cultural em Teerã era fervilhante, com cafés, cinemas e uma cena artística efervescente. A moda, como a foto deixa claro, seguia os padrões ocidentais. As mulheres podiam usar saias, vestidos e, claro, ir à praia de biquíni. Parece um conto de fadas distante, mas era a vida real para uma parcela da sociedade iraniana na época.

É um choque de realidade e tanto. A gente fica pensando: como um país pode mudar tanto em apenas duas décadas?

Do biquíni ao “burkini”: a virada radical

Mulheres usando burkini em praia contemporânea

Agora coloca essa primeira foto lado a lado com a imagem que a gente mais vê hoje. Aí entra o tal do “burkini”, uma invenção que mistura burca com biquíni. É basicamente um traje de banho que cobre todo o corpo, da cabeça aos pés.

Depois da Revolução, a imposição do código de vestimenta islâmico, o *hijab*, se tornou lei. Na praia, a liberdade daquela mulher em 1960 deu lugar a regras rígidas. O corpo feminino, antes exposto ao sol, precisou ser completamente encoberto em público. A comparação é tão absurda que chega a doer. É como se um portal no tempo tivesse fechado com um estrondo.

E o pior é que essa mudança não foi só na roupa, claro. Foi na vida toda. Na capacidade de ir e vir, de estudar, de trabalhar, de simplesmente *existir* no espaço público com a mesma liberdade que um homem. A foto do passado virou quase um objeto de contrabando, uma prova de um tempo que o regime atual tenta apagar da memória coletiva.

Uma janela para o que foi perdido

Por que uma foto tão antiga ainda nos causa tanto impacto? Acho que é porque ela é mais do que um registro de moda. Ela é um documento político e social da pior qualidade. Ela escancara, sem precisar de uma palavra, o quanto a vida pode ser transformada – e restringida – pela ideologia e pelo poder.

Para as mulheres iranianas mais jovens, que nasceram depois de 1979, imagens como essa são um choque. É a prova concreta de que a vida de suas avós era radicalmente diferente. É um símbolo potente de uma liberdade que foi confiscada. E, de certa forma, se tornou um ícone da resistência. Circular essas fotos nas redes sociais, mesmo com todos os riscos, é uma forma de dizer: “nós nos lembramos”. E o desejo por aquela normalidade não desapareceu, ele só foi forçado a se esconder.

É isso ai. A próxima vez que você vir uma foto “normal” de praia, pare um segundo. Pense na história que ela pode estar carregando. Pense na mulher daquela foto de 1960, que provavelmente nunca imaginou que seu momento de lazer se tornaria, décadas depois, um símbolo tão poderoso de luta e de memória. Muito louco, né?

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1 Comentário

  1. Victoria

    Uma das coisas mais estranhas é que eu e ela somos super parecidas,e isso é ate assustador.

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