Absolute Cinema IA

Criando ferramentas para seu proprio uso na IA do google

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Eu estou trabalhando em dois projetos de curtas usando IA. Um pro meu pai e outro pra mim. Não sei se o meu vai chegar ao fim, porque ele é muito ambicioso e complicado. Mas está sendo uma experiência muito interessante (aquele interessante que andar numa montanha-russa de parque itinerante temendo pela vida também é) porque a gente não tem certeza das coisas com IA.

Mais de vinte anos trabalhando com videos normais e de 3d, cobram um preço ingrato no que diz respeito a achar que a máquina deve fazer o que você quer e infelizmente, terrivelmente, tragicamente, e vergonhosamente, a IA não é assim. As empresas que estão viendo dependuradas nessa bolha querem nos convencer de que é fácil. “É dois palito” e tudo sai lindo, perfeito, maravilhoso, a IA é a panacéia que resolve tudo, cura todos os males e de quebra, traz a pessoa amada em sete dias ou antes.

Antes fosse. O marketing tem dessas pilantragens, desde o cara que tenta me convencer de que vai me deixar rico ainda esse ano, o remedinho que jura que aumenta meu bingulim, o barbeiro que promete me deixar com visagismo de astro de cinema e a empresa de impressora 3d que GARANTE que imprimir em 3d é fácil, lindo e maravilhoso.

O capitalismo nos traz essa liberdade de escolher em qual mentira vamos acreditar pra perder dinheiro, né?

Mas o fato é que eu fui capturado, terrivelmente e inescapavelmente capturado pela ideia de uma câmera na gaveta, uma ia no pc e uma ideia na cabeça.

Mas eu estou nessa vacinado. Comecei a fuçar na ia generativa quando aqui era tudo mato. Então eu sei como essa desgraçada maldita é! É como trabalhar com um chef de cozinha esquizofrênico em surto. Se for um dia bom, ele não bota açúcar no bife. A real é que a gente gasta um volume INCOMENSURÁVEL de créditos para ver a IA fazer erros toscos e, em muitos casos, engraçados. O volume de erros é tão grande (não sei a proporção, mas eu acho que chutaria algo como uns 25% de acertos só) que nosso olhar começa a cansar e começamos a relaxar a régua da qualidade. Um errinho ou outro de continuidade, uma coisa que surge de lugar nenhum lá no fundo, começa a ser mero preciosismo, porque custa tão caro arrumar uma merdinha que a gente começa a considerar melhor rezar pro espectador não ver e assim podemos tocar o barco. Fazer algo direito ali beira o impossível. E se na melhor das hipóteses, o impossível acontecer, prepare-se para ser criticado e massacrado por todos aqueles que estão na vibe do anti-IA. É o eterno fla-flu.

Pra essa galera, se tu usou IA, “traiu o movimento”. Foi mais ou menos assim com o 3d lá atrás também. Ninguém liga pro seu sofrimento.

Mas seja como for, o negócio está evoluindo e trabalhar num meio em evolução é como dançar naquele brinquedo de parque chamado “samba”, um pandeirão gigante que girava loucamente e dava umas puladas. Você se segura como pode, torce pra não ficar de cueca em público nem passar muita vergonha. O que minha IA não faz hoje amanhã surge outra (cobrando mais caro) que faz.

Eu estou nessa. Meu sonho era ter orçamento para usar o Higgsfield, mas estou me contentando com o Veo, e vou tentando driblar limitações. Às vezes, quando ele cisma, eu recorro ao bom e velho método do “dividir para conquistar”. Eu gero o fundo, eu gero o personagem, eu gero os objetos de cena eu jogo tudo isso no photoshop e no After e monto a cena na mão. Por isso eu tenho raiva de quando esses guris-gurus começam a vir com esse papo de “pode jogar o programa tal no lixo!” Os vendedores de terra prometida nunca se cansam, né gente? Mas a verdade, é que pra conseguir resultado ainda é preciso esforço de fazer coisas na mão. Ou ter dinheiro infinito e meter um IDDQD.

A essa altura, talvez você se pergunte o que esse meme do Absolute Cinema tem a ver com isso. O Flow – ferramenta do google para gerar IA – que é o que estou usando atualmente – apareceu com uma novidade muito legal na mais recente atualização. Legal pra valer! Ele criou um menu de “ferramentas”. Eu dei uma rápida olhada por lá e inicialmente não achei grande coisa para o meu uso, mas então eu fiquei por ali fuçando (quem é do 3d sabe bem como que a gente é) e notei um “Minhas ferramentas” e ali tinha um + (criar), aí começou meu vício. Meu jogo do tigrinho: “O quê? Dá pra criar minhas próprias ferramentas de IA?”

Dava. E foi assim que comecei os meus testes. Eles integraram um tipo de Antigravity ali dentro. É uma LLM de programação interna, que roda numa sandobx dentro do flow. Isso traz limitações, mas por outro lado, ela consegue trabalhar dentro da criação da IA generativa de video e imagem do google, usando os modos disponíveis, como o nano banana2 o nanobanana pro, o Veo, o Omni… E o que eles inventarem amanhã.

E aí ontem de manhã eu já tinha criado quatro ferramentas diferentes. Todas maneiríssimas. Eu fiz uma, por exemplo, que controla a velocidade de um vídeo, usando tabelas de efeitos práticos de Hollywood e espero usar isso para cenas de naves espaciais ou monstros gigantes (ainda preciso ajustar porque acabei com meus créditos de vídeo do mês só nos testes hahaha). Eu fiz outra chamada Mood Clone, que me permite subir até dez fotos de referência, e ele analisa cada uma e entende o conceito do mood e aplica numa imagem ou cena de base. O mood clone poderá ser útil em cenas como sonhos, delírios, videoclipe etc. Mas a joia da coroa é o “Absolute Cinema”! Aqui está ele, em toda sua grandiosa simplicidade, que beira o ridículo, mas esconde um grande poder:

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Como ela funciona? Eu tenho uma tela de cinema, 16:9 onde eu carrego o meu projeto, seja imagem ou video. (no momento estou focando em imagem por causa dos créditos). Ali eu importo a imagem-base. Normalmente a cena com meu personagem. No menu da esquerda eu tenho uns vinte e poucos tipos de enquadramento cinematográfico, incluindo aqueles mais comuns e alguns incomuns. Abaixo do painel tenho a “fala do diretor” que explica cada ângulo, dando uma função didática na ferramenta. E abaixo dela, eu tenho um campo de input de texto onde eu posso explicar o que eu quiser no prompt. Na coluna da direita, eu tenho as lentes mais comumente usadas em filmes e produções audiovisuais. Modos técnicos como câmera fixa, câmera na mão, drone, modos de recorte para blue screen e green screen. E abaixo disso, modos de autor, como Tarantino e Sergio Leone, que são brincadeiras. No modo Sergio Leone temos aquele superclose típico dos Westerns que consagraram o diretor.

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Já o Modo Tarantino, dispensa muitas explicações.

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O Absolute Cinema também me permite ativar e desativar um Safe frame, e tem um botão de safe frame corrector. Isso redesenha a cena para certificar que nada importante fique fora da área de segurança na tela. Um recurso bem útil. E também incluí um modo de grade em proporção áurea, de modo que eu posso escolher um dos quatro pontos na grade e mandar reconstruir que ele ajusta o enquadramento de maneira correspondente. Muitos desses controles, são cumulativos, de modo que eu posso ativar a composição áurea, e depois ativar meu botão de 30% (nesse ele altera o ângulo de câmera em 30% para evitar problemas de pulos de continuidade) com o botão de alinhar no canto também ligado e isso gera o “defeito especial” chamado “efeito Ruth-Raquel”:

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Outra coisa que incluí no Absolute Cinema é um controle de eixo cinematográfico que me ajuda a corrigir se a IA resolver quebrar o eixo, um problema muito comum em cenas de diálogos.

O sistema de lentes parece que está funcionando legal, mas elas não são cumulativas, como alguns dos enquadramentos são.

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Enfim, é isso. Fiz ontem de manhã enquanto esperava o almoço. Não sei você, mas eu acho isso realmente impressionante – não o que eu fiz, mas a ideia de criar suas ferramentas para facilitar seu próprio trabalho dentro da IA. Claro, tudo isso já era possível escrevendo direto no prompt, mas com essas otimizações da ferramenta, isso vai me permitir controlar o fluxo de cenas mais facilmente no meu projeto, testar angulações e fazer ajustes com mais controle. Apesar da ferramenta estar em português, todo controle de prompt interno que ela sobe é com os termos corretos em inglês, o que garante uma menor chance da ferramenta errar, tipo “mude o ângulo do quadro em 30%” e aí a pintura na parede fica torta, mas a câmera na mesma posição, hahaha (true story).

Tem ideias para incorporar no Absolute Cinema? Pode me mandar aqui mesmo. Eu achei tão útil que em breve devo portar o código dele para um stand alone executável linkando o nanobanana em Python para poder usar com outros geradores de video se precisar.

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