Mozart e a “Musica sem alma”

Mozart, algoritmos e a velha suspeita contra a técnica e tecnologia

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Ontem, lá no Threads, (me siga @philipeklingdavid) vi uma dona reclamando que tem “horror de toda e qualquer música feita com IA, porque não tem alma”.  Normal, o Threads e o Twitter são o paraíso do pensamento raso e da reflexão meia-boca, e onde se reclama sobre tudo, do barulho do portão de garagem às letras miúdas no rótulo do shampoo. Fora os posts para caçar cliques na Shopee. Com muitos posts sendo somente gente kibando e requentando posts de outros usuários que elas viram causar algum engajamento. Nessa confusão magnífica de opiniões e frases de efeito, muitas pessoas formam seu pensamento e opinião sobre certas coisas baseando-se apenas na percepção de outros. Mas nem sempre os outros entendem como as coisas de fato são feitas.
Às vezes fico horas pensando numa frase completamente tosca que li por lá.

Eu costumava pensar que tal qual no humor, que só tem o engraçado e o sem graça, havia apenas música boa e música ruim, mas certa vez, conversando com um ex-executivo da Som Livre, ele disse: “Não, música ruim não existe. Existe música boa e música que você ouviu pouco.
Agora puxaram esse negócio de alma e complicaram tudo.

A acusação de uma “falta de alma” em tudo que envolva algum tipo de tecnologia, não é necessariamente uma novidade… é muito mais antiga do que a inteligência artificial. Ela aparece sempre que um novo método de criação parece ameaçar a ideia romântica de “expressão interior”: primeiro com o virtuosismo excessivo, depois com sistemas composicionais rigorosos, e agora com modelos generativos treinados em grandes massas de dados.
Hoje em dia, ninguém ousaria dizer algo assim da obra de Mozart, certo? Certo. Mas lá atrás foi bem diferente. 

Esse debate ganha uma camada especialmente rica quando voltamos muitos e muitos anos no tempo e vemos o chamado “jogo de dados musical”.

 

O que é o Jogo de Dados Musical?

O Musikalisches Würfelspiel é um sistema que (acredita-se) usaria dados para gerar música a partir de fragmentos pré-compostos. O jogador lança dados para selecionar pequenos trechos musicais (compassos) que são combinados em uma peça coesa, geralmente uma valsa ou um minueto vienense. Embora jogos de dados musicais já existissem antes, a versão mais famosa foi publicada em 1792 (postumamente) pelo editor Nikolaus Simrock, foi atribuída a Wolfgang Amadeus Mozart. Não há prova definitiva de que Mozart tenha sido o autor, mas todo mundo entubou, creio que pelo estilo das músicas-base, e o jogo ficou eternamente ligado ao gênio austríaco.

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Como funciona na prática?

O jogo completo contém 272 compassos diferentes de música. A peça final é uma valsa com duas partes principais:

  • Minueto (16 compassos)
  • Trio (16 compassos)

Regras básicas:

  • Para a maioria dos compassos do minueto, você lança dois dados (soma de 2 a 12) e consulta uma tabela para escolher qual variação vai ter que usar.
  • Para o trio, geralmente usa-se um dado só.
  • Alguns compassos têm apenas uma opção (como o 8º), garantindo que a estrutura harmônica faça sentido.

O resultado? Seria impossível ouvir tudo, porque certamente nosso sistema solar provavelmente acabará antes do que a variação das músicas. São, veja bem, mais de 759 bilhões de trilhões de combinações possíveis,  todas no estilo clássico vienense.

Mas o mais curioso é que mesmo com tantas possibilidades, todas soam “mozartianas” porque os fragmentos foram cuidadosamente compostos para se encaixarem harmonicamente.

Contexto histórico: música e acaso no século XVIII

No final do século XVIII, a Europa vivia uma fascinação por jogos de azar e por novas formas de composição e criação musical. Vários compositores criaram sistemas semelhantes. O que tornou o de Mozart especial foi a qualidade musical dos fragmentos e claro, o marketing do editor.

Esse tipo de composição é um precursor fascinante da música algorítmica e da arte generativa que usamos hoje com computadores e inteligência artificial. Mozart basicamente criou um “algoritmo analógico” para gerar música.

Por que isso é genial?

  1. Democratização da criação — Qualquer pessoa, mesmo sem saber ler partituras, podia “compor” uma peça original.
  2. Exploração do acaso controlado — Os dados trazem imprevisibilidade, mas dentro de regras estrutrais que garantem qualidade.
  3. Estudo da criatividade — Mostra que grande parte da composição clássica segue padrões e fórmulas que podem ser sistematizados.

 

Visto em perspectiva histórica, o jogo musical com dados  não prova que Mozart “compunha com uma máquina”, mas ajuda a mostrar que música, cálculo, regra e invenção nunca estiveram totalmente separados.

 

 A longa história da acusação

A crítica à música tida como “sem alma”,  “vazia”, “mecânica” ou “sem profundidade” antecede em muito o debate sobre os algoritmos. Em tradições filosóficas e estéticas europeias, a música foi por vezes vista com desconfiança justamente por sua capacidade de produzir efeito sensível intenso sem necessariamente apresentar conceito, argumento ou conteúdo verbal estável. No século XIX, essa desconfiança reaparece em formulações contra a exibição técnica e uma virulenta crítica à música reduzida a mera habilidade.

Em vez de negar a potência da música, tais críticas miravam obras e práticas percebidas como exteriormente brilhantes, porém interiormente pobres (tecnicamente impressionantes, mas “espiritualmente frágeis”).

No século XX, o mesmo vocabulário ressurgiu em ataques a correntes excessivamente sistemáticas. No Brasil, a carta aberta de Camargo Guarnieri contra o dodecafonismo descreveu aquela estética como vinculada a “almas secas” e a um afastamento do povo e da experiência viva, mostrando como o argumento da falta de alma frequentemente aparece quando método e sistema parecem suplantar expressão e pertencimento cultural.

É justamente por isso que o jogo de Mozart interessa tanto ao presente. Ele funciona como um antepassado conceitual da geração algorítmica de hoje: um dispositivo capaz de produzir muitas peças “originais” a partir de módulos compatíveis entre si, obedecendo a regras harmônicas, métricas e formais já embutidas no material de base.
Em linguagem contemporânea, trata-se menos de improvisação absoluta e mais de exploração probabilística de um banco de elementos válidos.

Esse ponto é decisivo. O jogo mostra que uma obra pode nascer de seleção, combinação e restrição sem deixar de soar musicalmente coerente. A existência de um mecanismo combinatório, portanto, não elimina por si só o valor estético; ela desloca a pergunta para outro lugar: onde, exatamente, está a tal “alma”? Estraria oculta na invenção dos fragmentos, na arquitetura do sistema, na escolha final do resultado, ou na escuta que lhe atribui um sentido?


Eu arriscaria supor quie há um padrão matemático oculto nas melodias, que alguma parte do nossos cerebro consegue encadear facilmente e isso é percebido como prazer. Seria a partir disso, que eu poderia justificar o fato de que eu gosto de absolutamente tudo que o Bach fez. Talvez Johan Sebastian Bach tivesse um tipo de talento especial para além do dominio técnico: um sexto sentido matemático que o direcionava na construção musical. Mas isso nao é a tal da “alma”, porque se uma IA descobrir esse padrão ela pode fazer isso.  Então, como achar esse elemento tão subjetivo?

 

O que muda com a inteligência artificial

A música de IA, que eventualmente recebe tanto ódio de puristas, (que ignoram que as musicas quase todas de uns tempos pora cá são montadas eletronicamente no protools) radicaliza essa lógica combinatória em escala e opacidade. Ela é muito parecida com o sistema de dados de Mozart, mas ela opera em uma escala absurdamente mais brutal. Em vez de operar com algumas dezenas de compassos pré-selecionados, os modelos generativos aprendem padrões estatísticos de repertórios muito maiores e produzem saídas novas por previsão probabilística de continuidades estilísticas. O que significa isso na pratica? Um supercomputador ficou ouvindo musicas dia e noite, sem parar. Ele foi ouvindo, ouvindo e entendendo. Ele também aprendeu a entender os instrumentos. Ele sabe como soa uma marimba e um berimbau, um trombone, uma guitarra e um chicote.

Ele ouve música sem parar, quebra tudo em pedacinhos minúsculos e reconstrói padrões matemáticos. Aprende que rock tem solos de guitarra, que um violinista pode ‘chutar o pau da barraca‘ — e inventa algo novo a partir disso.

Ele vai inventar um solo novo, mas vai fazer isso analisando recursivamente todas as “cartas” que já sairam antes até ali e vai desenhar um solo que combine. Ele dá uns passos para trás e um passinho pra frente, só que numa velocidade absurda, usando quintilhões de parâmetros.
O problema é que devido a novidade, muita gente que não entende como funciona, podem pensar que um robô vai lá, recorta um solo, vamos dizer, do Dire Straits, e cola na música. O problema e que se fosse assim, só ia sair coisa bizarra. Imagina como ficaria um solo do Dire Straits, ou do Eagles num parabéns pra você?

A ideia de que a música é produto inerente da alma humana é uma ideia interessante, porque praticamente todo mundo pensa que sempre foi assim. (Mozart mostra que não, mas pouca gente sabe do jogo de dados). É por isso que tantos ouvintes a descrevem qualquer coisa criada com a ajuda de sistemas eletrônicos de tecnologia variada (sintetizadores, sequenciadores, Daws, musica algoritimica e tudo mais) como “bonita, mas vazia” ou “correta, mas sem vida”.
Em grande parte das vezes, essa crítica não se dirige apenas ao som produzido, mas ao fato de que o sistema parece simular os sinais da expressão sem ter biografia, corpo, risco, memória ou experiência do mundo, ou seja, sem aquilo que a cultura moderna passou a chamar de “interioridade artística”.

Nesse sentido, a acusação da tal “falta de alma” é menos um diagnóstico acústico do que um julgamento sobre origem e agência. Isso passaria num teste cego? Uma melodia pode comover, mas, se o ouvinte acredita que ela resulta apenas de correlação estatística, a emoção passa de imediato a ser recebida sob suspeita. A pergunta deixa de ser apenas “isso é bom?” e passa a ser “quem fala aqui?”

Obviamente seria leviano dizer que Mozart “já fazia IA” no século XVIII. O jogo de dados é limitado, transparente e depende de um material estilístico inteiramente humano, composto de antemão. A maioria das IAs generativas hoje operam sobre massas de dados, modelos complexos e processos inferenciais que o usuário comum não acompanha diretamente, e algumas delas usando datasets éticos, ou seja bases de musicas cujos direitos para um computador ouvir foram pagos e garantidos, como o SourceAudio, com mais de 14 milhões de tracks totalmente liberados para treinamento de IA, o Global Copyright Exchange (GCX) com datasets premium com direitos explícitos e royalties, SOUNDRAW e similares…

Ainda assim, o paralelo é fértil porque ambos os casos expõem a mesma ferida estética: o desconforto diante da possibilidade de que a música possa ser produzida por regras, combinações e probabilidades sem passar, ao menos de forma visível, pelo gesto expressivo unitário de um sujeito criador.

A tecnologia e a pilantragem

No caso de Mozart, ninguém duvida de que exista um autor humano responsável pela linguagem, pelo gosto, pelas escolhas estilísticas e pela qualidade do material. Mas no caso da IA, a própria figura do autor se torna difusa, distribuída entre treinamento, interface, prompt, curadoria, edição e recepção. E ainda mais agora com agentes de ia capazes de tomarem as redeas completas da criação a musica de IA se tornará inegavelmente um problema: Ela pode ser feita em volumes colossais por modelos puramente sinteticos do inicio ao fim e submetidas aos streamings, com a unica finalidade de fraudar os sistemas de pagamentos de royalties, as empresas se preopcupam que seu volume cabuloso diluiria o valor total (que já é injustamente distribuido entre criadores, mas isso é outro papo) a ser pago aos artistas reais, mas a real é que eles usam fazendas de bots para inflar numeros e mamar um dindim fácil. (plot twist: Artistas “consagrados” também usam, mas não vou dar nome aos bois pra não vir o famoso processinho) 

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Fazer uma musica subir “nas paradas” com fazenda de bots é molinho, molinho.


Há também um montão de gente que pega por exemplo a voz de um Michael Jackson, treina uma IA com ela, gera uma musica e sobe para os streamings se passando pelo MIchael de verdade para pegar os royalties. Isso aís âo milhões e milhões de malucos fazendo sem parar, com gente bem menos famosa que o rei do pop, é claro. Ora bolas, se tem pilantra se passando POR MIM pra tentar dar golpe no eu tio la no zap, imagina só podendo pegar royalties sem parar de bandas como Sex Pistols, Ramones, e até gente fora do circuito, cantores ja falecidos mas que podem ter uma audiência ja consolidada, de nicho, como um Ismael Silva, Vicente Celestino, um Fernando Mendes…
Mas voltando ao lance do teste cego:

A Deezer compartilhou uma pesquisa sobre a opinião pública em relação à música gerada por IA. Em um estudo global da Ipsos com 9.000 participantes em diversos países, a empresa descobriu que 97% dos entrevistados não conseguiram distinguir entre música gerada por IA e música feita por humanos em um teste cego.

O mesmo estudo mostrou que 80% acreditam que as faixas totalmente geradas por IA devem ser claramente identificadas, enquanto 73% desejam clareza quando a música gerada por IA é usada em recomendações. Mais da metade dos entrevistados também afirmou que músicas geradas por IA não devem aparecer ao lado de faixas feitas por humanos nas paradas musicais oficiais.

A preocupação do setor também está aumentando em relação ao impacto financeiro da IA ​​sobre os criadores de conteúdo. Pesquisas da CISAC e da PMP Strategy sugerem que quase 25% da receita dos criadores pode estar em risco até 2028, com perdas potenciais que chegam a € 4 bilhões.
fonte

O volume de streamings sintéticos está explodindo para todos os lados. Mais de 75.000 faixas de IA são carregadas no Deezer todos os dias. 

 O anúncio deles revelou que quase 44% de todos os novos envios, ou mais de 2 milhões de faixas criadas por IA sendo entregues a cada mês. Isso representa um aumento enorme em comparação com os números recentes. Há poucas semanas, o Deezer relatou que os uploads estavam próximos de 60.000 por dia, e antes disso, eram ainda menores. Se olharmos para abril do ano passado, a plataforma registrava cerca de 20.000 faixas de IA por dia. Saiu de vinte mil pra 75 mil em um ano.
Isso indica claramente que tem gente ganhando muita grana nisso aí. Eu duvido que existam tantos otários como eu que ficam uma semana montados num computador tocando flauta e escrevendo letras, para parir uma musica que ninguém vai ouvir e quando ouvir, vai chamar de “sem alma” pra não ganhar nada.
Aliás, o negócio da fazenda de bot não afeta apenas a música, ela está afetando tudo desde processos eleitorais a videogames.

A verdade ingrata é que: NÚMEROS INFLADOS não significam mais nada. 

A busca pela alma

Mas vamos deixar a pilantragem separada num canto por um momento e pensar no criador de material em conjunto com IA. (vulgo, eu.)
Nesse caso (o que deveria ser o normal) uma pessoa orgânica escreve uma letra, toca um violão, grava, sobe essa base para uma IA que ajuda a dar corpo e dar uma melhorada em geral no material que a pessoa orgânica criou. É uma criação conjunta. Esse caso, tem alma ou não tem?
Note como fica complicado situar a poltrona da alma nesse carro. A oposição entre música com alma e música sem alma costuma esconder uma questão mais precisa: não se trata apenas de emoção, mas de relação entre forma, intenção e mundo vivido.

Uma obra parece ter “alma” quando o ouvinte percebe nela não só correção estilística, mas a implícita necessidade expressiva. Uma sensação de que havia algo a ser dito, e não apenas algo a ser montado. Sob esse prisma, o problema da IA não é usar matemática. Mozart também usava estruturas formais, simetria, permutação e disciplina composicional.
O ponto decisivo é outro: Matemática, em arte, nunca foi o contrário de alma; ela se torna suspeita apenas quando a técnica parece bastar a si mesma e quando o vínculo com experiência, conflito ou intenção desaparece da percepção do ouvinte. De fato, se o material final resultar em algo como um mero filtro de cor que não leva a lugar algum, a produção perderá o sentido.
Mas e quanto aos experimentos da musica aleatória

Isso abre uma via mais interessante do que simplesmente repetir que “IA não tem alma”. A questão contemporânea talvez seja identificar onde a alma pode surgir em processos híbridos: Ela estaria na curadoria humana, na seleção do material? Na edição posterior?  No contexto conceitual da obra? Na performance de um cantor ou musicista? Ou ainda, no modo como a música é inserida em uma situação real de escuta?
Se uma pessoa se emocionar com alguma obra, sem que saiba de antemão que ela foi gerada e não tocada, essa alma poderá ser “doada” pelo ouvinte? 

Outra questão que reflito sobre essa pratica é a de que historicamente, as novidades surgem tentando assimilar o que havia antes antes de encontrar sua propria linguagem. Por exemplo, a fotografia carrega elementos da pintura quando surge em enquadramentos, em propostas de retratos, o cinema quando surge, vem com essa estética da fotografia, e a televisão mira nas novelas do radio, com imagens. Ese assim for com a IA, apps como Suno e Udio, dedicam montanhas de dinheiro e recursos visando criar uma musica indistinguível do que havia antes, mas isso parará quando ela for absolutamente indistinguível, ou quando isso cocorrer passaremos a ver coisas inovadoras surgirem?

A meta de uma IA deveria ser o novo, mas por enquanto estamos vendo grana sendo queimada para tentar fazer igual ao que havia antes, e digo por mim, será decepcionante se tanto investimento for usado apenas para isso.

Eu quero ver o que o “indivíduo sintético” fará para além do que o “indivídio orgânico” consegue fazer. Mas será que dá? Eu acho que dá.
Um exemplo disso, certo dia apareceu pra mim por puro acaso, numa alucinação que a IA deu num projeto de musica. Como era uma musica orquestral que eu fiz para esculachar o Lord Vinheteiro, eu não posso mostrar por motivos de não achar uma boa levar um processo, mas o que e importante é que nessa brincadeira, eu sem querer botei parâmetros bizarros e vi um violino virar voz de mulher e depois voltar a ser violino. E então eu pensei: “Caraca, isso seria impossível no mundo real!”
Mas matematicamente, como uma IA está desenhando uma onda sonora, um instrumento pode mesmo virar outra coisa. E inclusive, é possível que um som completamente desconhecido, surja num simples bug.
Aliás os bugs e alucinações das Ias generativas são uma piscina deliciosa de maluquices que hoje é relegada — e odiada — por quem está pagando, mas que pode conter coisas interessantes. É como escavar uma caçamba de esqunina.  Eu gosto do bizarro, eu gosto é da anomalia!

O caso de Mozart mostra que sistemas combinatórios não são uma novidade, mas parte de uma longa história em que a música negocia liberdade e regra, invenção e forma, cálculo e quem sabe, até afeto.
A discussão da IA nesse mundo não destrói automaticamente a musicalidade, mas obriga a redefinir com mais precisão o que se espera da arte quando se fala em presença humana, assinatura e o que pode ser “verdade expressiva”. Talvez seja exatamente por isso que a velha acusação de “música sem alma” voltou com tanta força. Ela não descreve apenas uma deficiência sonora; ela exprime o medo de que a técnica finalmente tenha se tornado capaz de imitar a aparência da expressão sem compartilhar sua origem existencial.

fonte fonte

 

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1 Comentário

  1. Diego

    A música perfeita está na imperfeição.

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