Dor do parto

bird ga761da7cf 640 | Textos | poesia

Eis a minha despedida, eu me viro e parto
Saio quieto pois falar o que eu sinto eu já não suporto
Coração na boca, tristeza no peito, vazio no quarto
Amargura do desejo, no distante perto
Vou em busca de outros ventos num possível porto

Deixo pra trás a minha vida, minha morte, minha alegoria
Nas lembranças dos momentos torturantes de alegria,
Resignado contemplo a mais triste agonia
É o final, é a partida, é a desgraça que me agracia.

Estou morto pra você, não venha atrás, não me vele nem me espere
Que o que está feito está feito e não há mais outro jeito
já não há mais como voltar, grilhões rompidos nunca voltam a se atrelar
Te desejo boa sorte, deixe a vida entreaberta
Enterre o nosso amor que eu já sigo o meu caminho
Abra seu coração para uma nova descoberta
Arme seu alçapão para pegar outro pobre passarinho

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4 Comentários

  1. Gabi Magnani

    Lindo!! E a parte que eu mais gostei foi o finalzinho.

    “Te desejo boa sorte, deixe a vida entreaberta
    Enterre o nosso amor que eu já sigo o meu caminho
    Abra seu coração para uma nova descoberta
    Arme seu alçapão para pegar outro pobre passarinho”

    Isso traduz tudo, e é muito triste :worry:
    Mas de qualquer jeito, eu passei para dizer que eu tava com saudade de passar por aqui. Não mudou muita coisa: continua incrível.
    Bjs!!!

    1. Philipe

      Que bom, Gabi. Valeu.

  2. Malu

    Olá, Moço!
    Faz mais de um ano que te leio através do Google Reader, tuas postagens são excelentes.
    Tem um amigo meu, lá em Portugal, que também é teu fã, adora teu blog.
    Creio que nunca deixei comentário, mas este poema fez estremecer minhas entranhas e não poderia ficar calada.
    Amo poemas, principalmente aqueles escritos com a alma.
    Feliz é o homem que vê poesia em tudo e nunca perde a sensibilidade.
    Depois da dor do parto, uma nova vida se inicia, e por certo será mais feliz. :]
    Fique em paz!
    Malu

    1. Philipe

      Valeu malu. Brigadão, que bom que vc gostou.

      Alguns leitores me perguntaram se eu tinha brigado com a primeira dama e tal. Eu morri de rir, já que não é assim que funciona. Eu tô numa boa com a primeira dama. Não é porque eu escrevo um poema sobre tristeza e separação que eu estou passando por isso. (felizmente, já que eu escrevo sobre a morte constantemente, hahaha)

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