Voltando a mexer no 3d: O Velho Goblin

Esse é um Goblin 3d que eu esculpi no Zbrush para treinar.

oldgoblin endsmall e1741980742300 | Esculturas | 3d, dicas, gblin, modelagem zbrush, monstro, video

Olha, vou te contar uma coisa: tem habilidades que a gente acha que domina, que estão guardadas na memória muscular, mas basta um tempo de inatividade para tudo virar uma bagunça. Foi exatamente o que aconteceu comigo e o ZBrush. Depois de um tempão longe da modelagem 3D, resolvi que era hora de voltar à ativa. E que ideia, hein? A sensação foi a de tentar lembrar como se anda de bicicleta, mas com a bicicleta sendo um dragão cibernético que só obedece a comandos em hieróglifos. A curva de reaprendizado é brutal.

Não foi um retorno triunfal, não. Foi mais um reencontro desajeitado, cheio de cliques errados e de ficar procurando aquela ferramenta específica que você *jurava* que estava ali. O ZBrush não perdoa. Se você fica muito tempo sem usar, é como se o software dissesse: “Ah, então você sumiu? Beleza, agora vamos ver se você realmente sabe as coisas.” É humilhante e hilário ao mesmo tempo.

Render final de um goblin idoso e expressivo, criado em ZBrush

Mas no meio desse caos, surgiu um personagem. Decidi não forçar nada, só soltar a mão e ver para onde a caneta gráfica me levava. E das formas orgânicas e um pouco descontroladas, nasceu este velho goblin. Ele tem aquela cara de quem já viu de tudo, sabe? Rugas profundas, um olhar meio cansado, meio esperto, e uma expressão que não é exatamente amigável, mas tem personalidade pra dar e vender. Fiquei tão surpreso com o rumo que as coisas tomaram que resolvi gravar a tela. Não é um tutorial, longe disso – é mais um registro honesto e sem cortes do processo, com todos os seus percalços.

Se você tem uns 11 minutos sobrando e curte ver o “backstage” da criação digital, o vídeo tá aqui. É a prova viva de que a prática leva… bem, leva a alguma coisa, mesmo que seja um goblin rabugento.

Por Que a Mão “Enferruja” Tanto no 3D?

Isso me fez pensar. Por que será que desaprendemos tão rápido uma habilidade técnica como a escultura digital? Acho que vai muito além de esquecer atalhos de teclado. Tem a ver com a construção de um “vocabulário visual” e tátil. Quando você modela com frequência, seu cérebro e suas mãos criam um diálogo direto. Você pensa numa forma e seus dedos já sabem quais pincéis e alphas usar para criá-la.

Ficar muito tempo parado quebra esse circuito. A conexão fica fraca, a comunicação falha. Você até se lembra do que quer fazer, mas os comandos saem truncados. É frustrante, mas também é um lembrete que arte digital, como qualquer ofício, exige constância. Não dá pra pegar o martelo uma vez por ano e esperar esculpir uma estátua perfeita.

A Magia (e o Trabalho) por Trás dos Goblins

Falando no meu goblin, você sabia que a figura do “goblin” como criatura pequena, travessa e muitas vezes maliciosa é um elemento super presente no folclore europeu? As histórias variam de região para região. Na mitologia germânica, por exemplo, criaturas como os *Kobolds* eram espíritos domésticos que podiam tanto ajudar nas tarefas quanto pregar peças terríveis se fossem desrespeitados. Já no folclore inglês, os goblins são frequentemente retratados como seres mais explicitamente malévolos e associados a lugares escuros.

É essa riqueza de interpretações que torna a criação de um goblin tão divertida. Ele pode ser um simples pestinha, um guardião ancião de segredos ou, como no meu caso, um velho cansado do mundo mas ainda cheio de histórias para contar nas rugas do rosto. A liberdade criativa é total, e é isso que torna o 3D uma ferramenta tão viciante.

E aí, bateu aquela vontade de mexer com 3D também? Se você é novo por aqui e ficou curioso, já compartilhei outros trabalhos, como minha visão da Torre de Sauron. E se quiser ver mais do meu portfólio, é só dar uma olhada na minha página do ArtStation.

No fim das contas, o que tirei desse dia foi mais do que um modelo 3D. Foi a confirmação de que vale a pena voltar a praticar, mesmo que comece tudo torto. A primeira hora é um desastre, a segunda já flui melhor, e na terceira você até se surpreende. O importante é não deixar a ferrugem tomar conta. É isso aí, valeu!

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6 Comentários

  1. Carlos

    Seu trabalho é ótimo. Seu blog idem.

    Abraço

    1. Philipe Kling David

      Fico muito lisonjeado em ler isso, Carlos. Espero que goste, tem muita coisa aí pra dentro.

  2. Eduardo

    Para quem disse que está bastante tempo sem usar o zbrush não dá nem para acreditar. Estou aprendendo e estou longe disso :(
    Você pode me tirar uma dúvida e dizer qual mesa digitalizadora ou tela você usa? Uso uma muito ruim e vou comprar outra e estou perdido.

    1. Philipe Kling David

      Eu estou usando uma bamboo antiga, pq minha intuos deu defeito. Essa bamboo tem ótimo custo-benefico. Eu lembro que comprei por uns 250 reais.

  3. Leandro

    Philipe ja te sigo a anos, vc manda muito na modelagem. Vc faz modelo personalizado para venda? Digo somente o arquivo em formato STL. Eu estou começando agora na impressão 3d e queria fazer uma miniatura para surpreender um amigo meu de infancia. Seria um personagem mago com a minha cara e um druida com a cara dele, ambos jogamos rpg e somos jogadores de world of warcraft.
    Desde já obrigado e sucesso!

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