Às vezes, é preciso confessar certos vícios e aqui vai um dos meus: Estou nas redes sociais há bastante tempo e com isso, fui gradualmente desenvolvendo esse vício que cresceu lentamente.
O vício de ler comentários. Inicialmente, eu lia apenas os comentários dos meus posts, mas gradualmente, comecei a ler também comentários dos posts que me interessavam e antes que eu percebesse, já estava entrando em postas que nem me interessavam para ler comentários alheios.
Eu entrava na seção de comentários com a curiosidade de uma criança que vai ao zoológico descobrir ali bichos com os quais ela nunca sonhou.
Lendo comentários e tentando sobreviver na cacofonia maluca de posts, slop de IA, receitas, gente chorando, pessoas se estabacando, celebridades — que não precisavam — fazendo dancinhas para engajar. Fora os “inteligentes” dizendo que são peritos em detectar textos feitos por IA graças aos usos dos travessões (opa! Olha ali! Quem viu, viu!) e claro, das frases pontuadas e eventualmente, do ritmo e frases que se tornaram chavões.
Na vida, nos esportes e na música, ritmo é tudo. É sobre isso.
E eu vou passando por tudo e tentando deixar minha marquinha também, ora bolas, como um pobre cachorro vira-latas que não passa por um arbusto sem ser compelido a não deixá-lo incólume.
Ali no zoológico da alma humana, também sou bicho. Ok, sei que não sou dos mais bonitos ou emplumados, mas dou minhas bicadas de vez em quando.
E como não podia deixar de ser, vejo um ou outro padrão surgindo. Assim, eu peço licença a você para enumerar aqui os tipos de comentaristas de redes sociais que eu mais detesto, não necessariamente por ordem de ódio, porque aqui não é Twitter.
1- O pentelho
Talvez tenha sido o Fausto Silva (um apresentador famoso aposentado) ou quem sabe, o pessoal do Casseta (Humoristas de um programa da televisão nos anos 80 e 90), que batizou a pessoa sem noção e babaca com o substantivo dedicado ao cabelinho escrotal. O fato é que o “pentelho” é aquele cara que não consegue guardar a opinião (de merda) dele, pra ele. Vamos a exemplos bem ilustrativos: Alguma tia véia lá escreve algo como:
“Que todos vocês tenham um bom dia na luz do Espírito Santo e que Jesus os acompanhe, meus queridos”.
Coisa fofa, com a imagem daquele Jesus caucasiano, quase um galã de Hollywood, andando com a mão no ombro de uma mulher aleatória, numa rua de Nova York. Brilhos purpurinados e estrelinhas de flores emolduram a mensagem, como nas setecentas milhões de mensagens de bom dia que sua mãe recebe lá no grupo das amigas do biriba ou da hidroginástica, ou pior, nos dois!
90% das pessoas normais olham, pensam: Ah, que fofinho, tia fulana tá viva. E segue sua vida.
Mas surge então, por detrás da moita mais obscura da internet, o pentelho. E ele vai lá questionar se o Espírito Santo existe, se Jesus é uma criação humana para controlar a sociedade e manter os privilégios dos poderosos. Não, ele não é um simples ateu como qualquer pessoa poderia pensar. O ateu não perde tempo com tia Neide. Mas o pentelho não só perde como dedica sua vida a irritar tia Neide e todos os outros. Porque se deparar com a crença alheia é algo que o incomoda. E incomoda porque eles não são ele. O pentelho deseja que todo o mundo seja como ele. Mas se isso um dia acontecesse, ele certamente daria cabo à própria existência, pois nem ele aguentaria o pântano da realidade que ele criou. O pentelho segue saltando do post da tia Neide para o post de uma moça que comentou que sua vida vai mal por causa de Saturno retrógrado ou seja la o que houver na casa sete. E depois de irritar a jovem mística ele pula para encher o saco do cara que falou sobre o governo americano estar às vias de liberar mais sigilos sobre os Ovnis.
O pentelho não quer clarificar nada. Ele não deseja qualquer coisa positiva que não esculachar qualquer assunto ou tema que o outro acredite. Porque a crença alheia se tornou inaceitável pra ele.
Mas por mais estranho que possa parecer, o pentelho, não raro, acredita piamente em políticos. O que nos leva a outro estereótipo:
2- O chato da política
Uma pessoa desavisada poderia facilmente pensar que o chato da política é o pentelho de roupa nova, mas cuidado. Tal qual na Biologia, o universo dos animais das redes sociais prega peças. O chato da política parece o pentelho com seu canto, mas têm suas diferenças, notadas por especialistas, como você e eu.
Esse cara tem um certo prazer mórbido de entrar em tudo o que ele vê pela frente e puxar um “faz o L” ali dentro. É como o cara do “Toca Raul”. Pra ele, tudo e qualquer coisa está ali por um motivo: Pra ele puxar o fla-flu político de que ele gosta. Às vezes ele consegue fazer isso em posts tão improváveis que eu me pego até admirando de certa forma, porque esse tipo de coisa requer realmente muitos neurônios trabalhando em conjunto para conseguir. Aqui vai um exemplo real, que me arrependo de não ter tirado o print.
Uma pessoa postou uma filha dançando o balé da escola. Veja bem. O BALÉ DA ESCOLA. Como é possível alguém meter o Lula ou o Bolsonaro ali dentro?
Pois o chato chegou, elogiou a apresentação, a música de Tchaikovsky… E daí ele forjou o gatilho dizendo que “isso sim era música, e isso sim é cultura”. E que é contra isso que “esse pessoal que está aí” (possivelmente os progressistas) luta, porque pra eles, “a arte verdadeira, a arte que importa, é um cara pelado deitado no chão com crianças em volta, uma gorda sapatão do sovaco peludo derramando menstruação na cabeça”, ou a peça “macaquinhos” onde pessoas nuas fazem um círculo enfiando seus indicadores no lugar onde o sol não brilha no corpo do outro. E finalmente, ele arremata seu argumento com: “Se deixar como está, o balé e a boa música estarão com os dias contados. Faz o L!”
3- O engraçadão
Outra figura a qual eu aprendi a odiar é o engraçadão. Nem sempre, admito. Às vezes esse cara consegue ser tão sem noção que eu acho graça. Mas não dá piada dele em si. Eu acho graça dele mesmo. O engraçadão acha que precisa animar a todos com piadas sem graça como as do Conan O’Brien no Oscar (que me dão saudades dos bons tempos onde pessoas famosas se estapeavam no palco). O fato é que esse cara é espirituoso. É espirituoso demais, e tudo que acontece, ele tem um Gif, um meme, um gracejo pra soltar. Às vezes o tema do assunto não comporta, mas ele não liga. Afinal, o mundo está ali pra ele. A internet é dele e os sentimentos alheios são algo com o qual ele sequer pode imaginar. Então, em posts de luto, ele vai entrar e meter uma piadinha infame, que talvez funcionasse lá no grupo de cachaceiros do morto, mas ele lasca ali mesmo, pra todo mundo ver.
4- O Troll
Esse todo mundo conhece e todo mundo odeia da mesma maneira. O Troll é um cara desesperado por atenção. Ele vai entrar em tudo para irritar e falar poucas e boas. Ele não liga realmente para o que está falando. O foco dele é tentar acertar algum nervo exposto e provocar uma reação. è a abelha que tenta ferroar no olho. A coisa mais triste do mundo é um troll sendo ignorado, porque isso DESTRÓI ainda mais sua autoestima já negativa. Ele precisa que o outro se mova, para que ele se sinta vivo. Existem Trolls aleatórios e Trolls que “travam o alvo” e ficam dias e noites irritando aquele famoso e para isso consomem tudo o que o seu alvo fez. Vão em todas as peças, veem todos os filmes, escutam a discografia toda, leem cada artigo, cada entrevista do alvo buscando nervos expostos para ferroar. Então é aí que algo estranho acontece: O troll odeia, mas ao mesmo tempo ele age como quem ama e isso talvez seja um dos mais interessantes paradoxos na internet.
5- O Goodvibes
Existe todo tipo de gente no mundo, é verdade. Mas uma que me irrita é o goodvibes. Pra ele tudo está bom. Nunca tem nada ruim. O Poliana acha tudo lindo, tudo tem um viés positivo e seja lá que merda absurda que aconteça na face lazarenta desse planeta medíocre, o goodvibes vai puxar uma passagem inspiradora, um viés positivo, uma lição aprendida. Tudo dele termina numa lição positiva, numa maior compreensão da realidade, “num mundo lírico e confuso, cheio de aventura e magia e você nem sequer toca a sua alma”.
O goodvibes é foda porque é falso como uma nota de três reais. O mundo é uma bosta. Tem coisas boas, tem seus momentos. Mas se tudo é poeticamente positivo pra você, é sinal que está com seu filtro Poliana muito forte, meu amor!
Existem vários goodvibes, são várias raças desse animal irritante, como os religiosos, os místicos e os estoicos (ou qualquer outra moda filosófica do momento). Seu arcabouço de conhecimentos envolve todo livro de autoajuda que você puder imaginar, bem como alguns conhecimentos deliberadamente deturpados como a Física Quântica, uma pitada de ocultismo barato, digo, Blavatsky.
A sensação que o goodvibes passa é que ele travou a mente no LinkedIn e nunca mais saiu de lá. Um martelo cai no pé dele e ele reflete sobre a ira, a desatenção, a importância da dor e como podemos ser felizes mesmo sofrendo ao experimentar coisas novas como a bricolagem.
Puta que pariu! Eu preciso levar pra terapia porque pessoas assim me irritam tanto.
6- O coach
Aqui vem uma unanimidade. Ninguém gosta desse bando de pau no cu gente de caráter duvidoso. Acho que nem as mães deles.
O coach leu meia dúzia de livros de autoajuda e teve uma ideia que logo lhe pareceu sensacional: “Vou repetir essa bosta e pessoas estúpidas vão me pagar pra isso!”
E o pior é que dá certo, porque podemos discordar de quase completamente tudo, MENOS do fato de que o mundo está cheio de gente burra.
O coach é chato porque ele se coloca no pedestal arquetípico do sábio, do grande xamã, do líder. Ele se autoproclama, se auto-coroa, se autoconsagra, depois ainda se incensa e passa a distribuir suas frases taxativas com a autoridade a si mesmo conferida por sua infinita sabedoria (caramelizada no puro efeito Dunning-Kruger), taxando e cunhando no frio bronze das decisões absolutas:
Sem um Rolex no pulso você não será ninguém na reunião. Sem um Iphone você não é nada. O sofá velho na sua casa está puxando sua vida para baixo. Está sem dinheiro? Pega emprestado e vá jantar no Fasano, pois pobreza se cura vibrando na abundância! E por aí vai um monte de babaquices paridas muito facilmente dos próprios esfíncteres. Mas o que me dá vontade de cometer o Harakiri baiano mesmo é que tem gente que cai nessa.
Ele adora postar videos de podcasts fake onde é só ele falando bosta num microfone, ele faz montagens (quando é coach pobre) em Dubai, e (quando melhora de vida) grava suas abobrinhas dentro dum carrão alugado.
Normalmente, os caras que fazem a mentoria parcelando em 24 vezes de 3000 reais são os caras que usam calça apertada pescando siri sem meias e sonham em ter um Porsche que eles chamam de UMA Porsche. E que não por acaso, são o próximo grupo que me dá aquele asco gostoso: O bicho de pé da internet. O…
7- O defensor de Rico

Esse é fácil de reconhecer até no escuro e de olho fechado. Você comenta qualquer merda óbvia como esses bilionários do Vale do Silício são muito filhos da puta. Veja o caso do cara da Oracle, apesar de acordar num belo dia com seis bilhões de dolares na conta e NEM PERCEBER de tanto dinheiro que têm, resolveram demitir milhares de empregados, trocando-os por uma IA que ele ajudou a inventar, porque sabe como que é: “A empresa não pode correr o risco de quebrar”.
Para esse amiguinho da barbinha de corte italiano e o cabelo escovado depois da chapinha para fazer o Old Money — termo que aliás, se tornou seu grande mantra da vida em contraste com o fato de ele estar devendo R$17.000 no Nubank — falar qualquer coisa que seja de um bilionário, é uma afronta a ele mesmo. Mas por que? Porque ele se vê como um rico. Falar dos ricos é falar dele. Ele acreditou nos livros que prometiam a prosperidade que ele leu, e ele fez a mentoria do caboco ali de cima, de modo que ele teve seu cérebro lavado e alvejado a ponto de ele se olhar no espelho e ver ali a própria encarnação do sucesso. E se por ventura algo sair errado e ele perceber que se trata apenas de um mero corretor lambe-botas com uma calça espreme-ovos, réplica da china no pulso e dentes de mentex parcelados, ele corre e vai jantar no Coco Bambu pra se sentir diferenciado. Ao ver alguém falar mal dos opressores da sociedade, ele vai defender, ele vai puxar não se sabe de onde, um arsenal interminável de desculpas, espantalhos falsas simetrias. Ele literalmente gabaritará todos os tipos de falácia possíveis e quando estiver sem saída diante dos fatos apelará para o bom e velho argumento ad hominem e irá te chingar de fodido apesar de ele não ter sequer conquistado uma casa própria.
Esse cara defenderá o empresário, o bilionário dono de ilha e até o comedor de criancinhas — não, não o comunista, o comedor de crianças pra valer — e vai fazer isso na esperança de que assim ele um dia será aceito. O trágico de tudo? Não vai. Nunca. Mas ele acredita e seguirá acreditando, mentoria após mentoria de seus amados Coaches.
8- O maluco da bandeira
A internet se tornou um campo minado. Eu mesmo admito que deixo de escrever um monte de coisa com medo de processo, e cá entre nós, estou certo. Uma frase mal colocada, uma palavra fora do lugar e surge, não se sabe de onde, essa turba com paus e pedras, tochas e foices pedindo sua cabeça.
Eles querem sua ruína, e eles vão à justiça querendo sangue. O maluco da bandeira é essa pessoa que cultiva com cuidado seu rebanho de apoiadores, que são sua massa de manobra. Ele pode estar pendurado em algum coletivo, mães-solo, defensores dos negros, defensores de minorias variadas… A internet está como um shopping center na véspera do dia das mães. Não dá pra estacionar, todas as vagas de minorias já foram ocupadas e falar qualquer coisa é dar munição para uma violentíssima reação adversa. Veja que defender minorias é uma coisa, mas não é o caso desse cara aqui. Ele USA as minorias como plataforma de ação contra desafetos.
Então eles pintarão um alvo nas suas costas e a perseguição será implacável. Eles lerão TUDO, absolutamente TUDO que você já escreveu na sua vida e procurarão pelo em ovo até achar alguma coisa, e ainda por cima, se não acharem — o que deve ser impossível, já que a moda acerca do que precisamos e podemos falar muda com o tempo — eles têm hoje à mão o dispositivo da fake news para deitar e rolar. E uma coisa muito curiosa é: quanto mais virulenta e agressiva a ação deles, maior o discurso vitimista deles mesmos.
Então, você está fodido até mesmo em lugares onde pensava estar em casa. Por exemplo (Deus, que pena que não posso dar nomes aos bois!), você é um ator famoso e frequenta as festas do gran monde. Você lida todo dia com amigos e colegas de trabalho e é visto e reconhecido como um membro do grupo progressista da sociedade. Mas então, um belo dia, você comete um erro: diz algo que irritará o clubinho. Algo como “sou conservador”. Fudeu!
É aí que um membro do clubinho olhará pra você e apontará seu dedo nodoso, arregalará seus olhos e berrará um grito abominável.
Agora você está proscrito! Outros grupos de bandeiras como o das mulheres misandricas que sejam o fim dos homens na Terra o acusarão e verão em seus atos elementos condenáveis, e mesmo se não achar, pra elas, apenas pelo fato de você ter um piru já o coloca devendo na entrada da vida.
O linchamento moral será como uma avalanche. Jornalistas canalhas vão fazer entrevistas e tentar tirar palavras para la na frente você ser responsabilizado. O grupo age contra você como um formigueiro que identifica uma formiga doente. Eles não terão clemência. E a razão disso, qual é? Servir de aviso a todos os outros sócios desse clube. Ele te levanta, ele te derruba. Mas clemência não há. Jamais.
9- O machão alfa redpill 2000K provedor
Em todos os lugares, lá estará um: é como uma casa invadida pelas baratinhas francesas. Num dia você viu uma. Semana que vem, já vê dezoito.
Eles estão se espalhando e ganhando mais e mais espaço. Talvez sendo dinamizados por gente da galera ali de cima? Possivelmente.
Mas eles estão por aí, sempre prontos para dizer que “toda mulher é puta, toda mulher é pilantra exploradora” e coisas como “para o Betinha sei la o que”. Aliás eles adoram falar do Betinha, porque eles se acham os alfas. Tudo isso deriva do fato de que um belo dia um retardado mental resolveu comparar pessoas ao que ele pensava que era o comportamento de uma matilha de lobos. E aí tava a merda feita. Livros, treinamentos, grupos de homens cuja masculinidade não se construiu muito bem, pessoas frustradas em seus relacionamentos ou mesmo frustradas por nunca terem sido sequer frustradas num relacionamento se juntam numa língua de frases de efeito e gritinhos do He-man. Eles têm medo de tatuagens de borboletas. Como psicólogo, eu sempre achei que essa coisa da masculinidade contemporânea é extremamente interessante. Um mundo em mudanças brutais dinamizado pela internet e pela virtualização das relações sociais e de trabalho, levou o homem do arquétipo do Tarzan ou Flash Gordon a bossais como o Homer Simpson, passando por conquistadores frios como James Bond, valentões como Cobra, Rambo e até o Duke Nukem.
Hoje temos um homem que corre atrás do rabo como um cachorro no dia da mudança, tentando se reconstruir com os fragmentos que sobraram. Assim, pululam por aí, “machões à moda antiga”. Eles precisam dizer quem são o tempo inteiro, para poderem acreditar. E nesse rolo projetam ódio às mulheres, essa mulher idealizada, fantasiada e construída na dicotomia do arquétipo de uma santa submissa imaculada ou uma succubus maldita aproveitadora com tatuagem de borboleta.
Há de tudo, desde a mulher idealizada como um troféu, a relações poligâmicas que constroem um ideal do macheza alfa redpill 20000K provedor onde uma mulher só nunca será suficiente. Aliás, essa mulher não é uma mulher de verdade, ela é um mero manequim oco, de preferência bonita, um objeto sexual de exibição com o qual ele exercita seu prazer de ser o “alfa” e se sente bem tendo ali um para-raios para exercer e passar pra frente sua opressão violenta — que ele recebe da sociedade. O machão é como o garoto que levou porrada da mãe (que apanhou do pai) e aí ele chuta o cachorro.
Normalmente esses caras ficam muito bravos quando se insinua que toda essa macheza e testosterona são um disfarce para quem curte uma brotheragem, uma mamadinha no sigilo.
Eles são bravos e muito agressivos, e discutir com um é chato, porque ele vai logo chorar no grupo do zap e na sequência vem um monte defender o coleguinha. (Isso também acontece com as meninas da misandria, portanto, poderia ser somente um efeito-reflexo)
10- O maromba/ fitness
Você já o viu postando retrato no espelho do elevador 1000 vezes. Forçando o muque, mostrando o bíceps, o tríceps e o esternocleidomastóideo avantajado. Ele se preocupa com a simetria do próprio “tanquinho” e acredita realmente que nenhuma mulher na face da Terra jamais resistirá a sua foto sem camisa, suado, heroicamente dependurado num rochedo. Talvez por isso ele tenha colocado essa foto no Tinder. Ele pode ou não ser um redpill. Ele pode também ser o defensor de rico. Ele está ali meio que na interface desses grupos, mas ele sabe TUDO de suplementos, receitas e calorias. Ele considera que qualquer pessoa que não corra dez Km 4 horas da manhã todo dia, chova ou faça sol é um fracassado.
Ele pode discorrer horas e horas sobre o melhor tênis para uma pisada pronada e quanto de peso e qual marca de aparelho de supino é ideal. Ele não vive sem mensagens de “Tá pago”, e detalhes sobre novos treinos no crossfit. Se o drink do James Bond é um martini mexido não batido, ele tem o pré-treino e o pós treino, os shakes de proteínas, a banana entre os aparelhos, os cem metros em tanto tempo e as roupas de ginástica.
Mas o aspecto mais chato dele é sua competitividade doentia. Se um amigo levanta tantos quilos, ele não sossegará enquanto não puder fazer mais, e depois vai, todo faceiro, comentar que conseguiu, chegou na meta e ainda dobrou a meta.
Seu corpo é seu templo, e frases assim são seu mantra. Ele ama uma tatuagem, não pela arte nem pela dor ou mesmo o desenho, mas porque mostrar a tatuagem é uma desculpa para fazer um muque na foto.
O maromba discute tudo a fundo com a veemência de um velho careca comentarista de mesa redonda de futebol: Pride, mister olímpia, ele sabe os pesos e medidas dos bodybuilders dos anos 60, 70, 80, 90 e 2000 e nomes dos lutadores. Ele toma “o suco”, seja lá o que for esta merda, e fala entre dentes nomes de remédios, muitas vezes usando códigos. Ele curte umas lutas, já que a porradaria é parte indelével da vida dele. Então, se tiver luta, tipo MMA, ele estará vendo. E ver luta com ele é um show à parte.
E ele sabe do golpe, sabe o nome do movimento. Ele fez ou faz Jiu Jitsu e se sente importante ao defender este ou aquele movimento… Ele inclusive detecta erros do Juiz. Sim, porque ELE SABE MAIS que o juiz, é claro!
Ele às vezes fica saudoso de quando lembra do tempo em que o Sacuraba derramava o melado (aquela cachoeira de sangue) no octógono, mas continuava a apanhar do russo, sem desistir.
Eu poderia continuar falando dos animais das redes sociais por dias se eu quisesse, mas vou parar em dez porque fica cansativo, eu sei. Aliás, um dos mais chatos da internet é aquele que sempre entra no post gigante para dizer: “É muito texto, vou esperar virar filme”.









